Opinião
E se voc� fosse o Lula?
Luciano Siqueira * Tamanho é o assédio das pessoas que desejam saber nossa opinião sobre a crise política e indagar sobre possíveis soluções, que resolvemos inverter os papéis, devolvendo a pergunta: e se você fosse o presidente Lula, que faria? As respostas variam conforme o nível de informação e mesmo de intimidade com as coisas de governo, porém convergem para a figura do próprio presidente. Ou seja: cabe a ele, na condição de chefe do governo e líder das forças que o apóiam, tomar a iniciativa, ?mostrar autoridade?, como diz o motorista que nos serve, um soldado da Polícia Militar de Pernambuco. O garçom vai na mesma direção, assegurando que o povo confia na honestidade de Lula e só espera que as coisas melhorem para defender o presidente. ?Melhorar o quê??, perguntamos. ?O emprego, doutor, que é o motivo dessas coisas ruins que estão acontecendo hoje, a violência, tudo?. Defender o governo, como? ?Sei não, doutor, mas que a gente ia defender, ia, pode acreditar?. Nossa ?enquete? continua, estendida aos diversos círculos que freqüentamos. Empresários falam de ?agenda positiva?, pautada no estímulo à produção. Técnicos envolvidos com a gestão pública pedem mais agilidade administrativa, no pressuposto de que a melhor defesa do governo seria um desempenho mais eficaz das políticas públicas em vigor. A pergunta converte-se também numa espécie de dever de casa para a nossa equipe de assessores na Prefeitura do Recife, instados a pensarem no assunto, eles que atuam numa instância de governo ? a vice-prefeitura ? eminentemente política. Alguns dos inquiridos nos dão a resposta que alguns de vocês talvez se sintam tentados a dar: ?O presidente é ele, que tem a obrigação de encontrar a saída. Sou um simples eleitor em vias de perder a esperança!?. De todo modo vale a pergunta, até como forma de materializar a compreensão de que a solução para a crise política não pode sair apenas dos gabinetes de Brasília, há que refletir os anseios e a participação do povo. O nó está no item participação. Para que ganhe dimensão de massas há uma distância razoável, que só pode diminuir se o presidente tomar a decisão política de flexibilizar a orientação econômica ? pedra de toque da sensibilização da grande massa do povo, ainda muito pouco beneficiada pelo atual governo. É a tal ?melhora? que o nosso garçom reivindica como pré-condição para que ?a gente defenda o presidente?. (*) É médico e vice-prefeito da cidade do Recife.