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Igrejas de necessidade

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Dom Fernando Iório * Não é de agora, já faz muito que venho refletindo sobre a atitude de várias pessoas que se perguntam sobre qual seja a verdadeira fé, de outras tantas que vacilam na fé e, sem deixar de se considerar católicas, freqüentam outros cultos. Não faltam outros, denominados cristãos, contrários a princípios éticos defendidos por sua Igreja. A maioria, talvez, sem negar esses princípios, ignora-os na prática. Conforme pesquisa do Ceris, nas seis regiões metropolitanas do Brasil esses tipos de católicos perfazem 22,5% do total de quantos se declaram homens e mulheres de fé. Não são poucos, nessas mesmas regiões, a recorrerem à cartomancia ou a religiosidades alternativas. Isso para não falar daqueles que, simplesmente, abandonaram sua fé, aderindo a outros credos. Não é aqui o lugar de séria discussão sobre quantos motivos levaram essas pessoas ao abandono da sua fé. Havemos de propor alguns critérios importantes pelos quais devemos conduzir nossa prática religiosa, se desejamos ser fiéis ao seguimento de Jesus, no que se refere ao amor do próximo e à questão da justiça social. Um critério, importante, é este: somos convidados a servir o Evangelho e não a servir-se dele. A prática de uma religião do amor e do serviço contrasta com a vida de quem troca de religião por interesses pessoais, subjetivos. Haja vista uma pessoa que deseja divorciar-se e acha que, entrando em uma igreja menos exigente, em sua doutrina moral, vai ser possível divorciar-se sem ferir a Lei de Deus. Pode haver católicos que acreditam na promessa de que, entrando em outra igreja, vão resolver seus problemas financeiros, ou mesmo parar de sofrer, vão superar seus infortúnios amorosos, com impressionante ?sessão de descarrego?, ou então, resolver seu problema de riqueza, participando de uma ?corrente de prosperidade?. Não faltam aqueles que se deixam convencer por um profeta mediático de que ?a pobreza é obra de Satanás?. Analisando essas ?igrejas de necessidades?, que se dizem cristãs, chegamos à conclusão de que estamos em face das ?igrejas de mercado?, localizadas em posições estratégicas, realizando ?cultos?, onde, ao contrário da comunhão, se privilegia a transação comercial, troca do ?dou para que me dês?, para resolver uma crise financeira ou para passar num concurso. Numa palavra: fazer da religião um instrumento de prosperidade pessoal e da Igreja um ?supermercado da fé?, onde cada um escolhe o que bem lhe agrada é perverter o sentido básico da religião do Novo Testamento. Ser cristão não é servir-se da fé para interesses pessoais imediatos, mas servir, doando-se pelos outros. Nisso consiste a felicidade maior de quem crê: crescer, servindo. (*) É bispo de Palmeira dos Índios.

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