Opinião
Basta de viol�ncia
Humberto Martins * Beber em excesso e brigar são ocorrências infelizmente freqüentes na juventude dos nossos dias, principalmente quando se considera a divulgação sistemática da violência através da TV que adentra aos lares, influenciando desde a primeira infância, e da propaganda sistemática de bebidas. Não o é, entretanto, portar armas e matar os companheiros de diversão. Fator que deve ser levado em conta na hora do julgamento dos que cortam a vida dos seus semelhantes na flor da idade. Mais grave é esse tipo de procedimento quando desempenhado por pessoas que desde os primeiros anos de vida tiveram direito à educação e ao conforto que é privilégio, no nosso país, de uma minoria. Não se pode alegar, portanto, nesses casos, que foram a penúria, o desemprego, a fome e a miséria responsáveis pela formação da personalidade violenta. Quem vive em sociedade tem a obrigação de adquirir defesas contra a contaminação da violência, sob pena de mergulharmos todos no caos da insegurança que já consome mais de 10% do que esta nação produz. Argumentarão alguns, eternos otimistas, que esses são males da nossa conturbada época. Não têm razão os que assim procedem. O Brasil está entre os três países mais violentos do mundo, acompanhado de nações onde ocorrem agressivas comoções internas. Hesitam os que pontificam no cume dos organismos oficiais em adotar medidas mais rígidas para controlar a divulgação da violência e do alcoolismo. Mas as estatísticas revelam que é chegado o momento de pôr um basta à situação de descalabro e de impunidade em que mergulhamos. Um brasileiro que furtou um avião, fez algumas piruetas e pousou, sem ferir nem matar ninguém, nos Estados Unidos da América do Norte, deverá, com certeza, ser condenado a 20 anos de cadeia, ao que noticiam os jornais. A quanto é condenado no Brasil quem tira, sem nenhuma espécie de motivo ou justificativa, a vida alheia? Quanto tempo fica, efetivamente, afastado da sociedade? São perguntas sobre as quais devem se concentrar os legisladores, os formadores de opinião pública, todos afinal que têm uma parcela de responsabilidade na condução deste país. Polícias insuficientes, leis coniventes, julgadores transigentes, presídios que, ao invés de recuperar, pioram o caráter dos delinqüentes, são todos componentes de um quadro inquietador, que deve ser enfrentado com vigor e disposição. Basta de violência, de complacência, de omissão ou imobilismo. A sociedade exige resposta imediata contra o estado de insegurança vivenciado em nosso país. É hora do grito de cidadania: não à violência, sim à paz. (*) É desembargador do TJ-AL.