Opinião
N�o ao linchamento do PT
Sérgio Barroso * O golpismo da oposição PSDB-PFL se bifurca: juntou-se ao discurso único e raivoso dos principais órgãos da mídia a bandeira do linchamento público do Partido dos Trabalhadores. Sonham esquartejá-lo até 2006. Isso sem deixar de perseguir seu alvo principal: a derrota do presidente Lula. Agora é um empréstimo ao PT, avalizado pelo tal Valério, um ?publicitário? criador de cavalos de raça milionários. Só que isso, em si, não quer dizer absolutamente nada, nem de longe justifica o linchamento político! Claro que lugar de corruptos, corruptores e ?guabirus? é no xilindró. Mas o que se agita histericamente é a destruição do PT como um todo, como se seus numerosos eleitores, seus militantes, centenas de dirigentes e sua história democrática formassem os vagões do trem-pagador do tal mensalão. Cortina de fumaça do golpismo, reiteramos sem pestanejar. Não se trata de golpe à manu militari, de um assalto ao aparelho de Estado. Sim de uma estratégia inescrupulosa para devolver o poder à tragédia ideológica que mescla o mando dos barões das finanças e o darwinismo social ? a bandidagem neoliberal. Mais uma vez: FHC ? modelito narcísico do liberalismo bastardo - declarou na semana passada à revista Exame, urgir ao atual presidente da República anunciar à nação que não é mais candidato à reeleição; só assim, disse o predador neoliberal, o país voltará à paz! Mas não só: na maior audiência televisiva do domingo passado, o Fantástico exibiu entrevista com aquele senador do PSDB, Arthur Virgílio ? comprovadamente financiado por bancos discorrendo sobre a inequívoca responsabilidade do presidente Lula nos graves fatos. Assim, o conselheiro FHC proclama antecipar o resultado da campanha golpista, da qual foi artífice, no sentido de forçar a capitulação do presidente Lula. Diz-se que o sociólogo (da fraude neoliberal) só será candidato com Lula no canto do ringue; daí o novo passo na tática de desestabilização. Logo a manobra golpista obteve dois efeitos nefastos. Primeiro, ficamos refém de novas concessões urdidas no galinheiro do Dr. Palocci: o IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) reviu para 2,8% o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) deste ano, graças à essencialmente repudiada política econômica liberal; enquanto a Fazenda pediu a Delfim Neto um plano para ?zerar o déficit publico nominal?, leia-se: mais cortes nos gastos sociais. Em segundo, a chantagem, principalmente de alguns petistas e tucanos, contra o petismo, sonhando anunciar um casamento PT-PSDB. Sejamos solidários ao PT. (*) É médico e doutorando em Economia Social e do Trabalho.