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Tamb�m a economia

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Bernardo Joffily * O título parafraseia uma frase famosa: ?É a economia, idiota!?. Bolada pelo marqueteiro James Carville, na eleição presidencial americana de 1992, levou à Casa Branca o democrata Bill Clinton, zebra da campanha, e dirigia-se ao seu adversário, o favorito candidato à reeleição, George Bush pai. O eleitor americano, convencido de que o problema era mesmo a economia, elegeu Clinton e não Bush - que nem é tão idiota quanto o filho, que, no entanto, conseguiu se reeleger, mas isso já é outra história. Mudando o destinatário da advertência de ?idiota? para ?companheiro?, foi mais ou menos isso que a CMS (Coordenação dos Movimentos Sociais, que reúne a CUT, MST, UNE, pastorais da Igreja e uma constelação de outras entidades) disse a Lula numa audiência no dia 22 de junho. Foi isso que escreveu em sua ?Carta ao povo brasileiro?. E foi isso que bradou para o Brasil inteiro ouvir, num coro de mais de 20 mil vozes, na bela marcha nacional do dia 1º de julho, em Goiânia. É a economia? Então não é só a corrupção? Neste preciso momento, toda a mídia grande do país proclama em uníssono o contrário: o problema é a corrupção, não a economia. Esta talvez nunca tenha estado tão confinada nas páginas dos jornais, pelo menos nas últimas duas ou três décadas. Por quê? Pelo simples e bom motivo de que a política econômica é a última coisa que os interesses orientadores da mídia grande desejam mudar no governo Lula. E isto não é segredo, está escrito, preto no branco. Basta acompanhar os editoriais do Estado de S. Paulo, o mais venerável desses órgãos, também o mais coerente e desassombrado no seu reacionarismo. Aliás, nem é preciso ir tão longe. É só ver o que disse o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), vedete de todas as manchetes, no seu primeiro depoimento à CPI dos Correios, jactando-se de ser mais coerente que o deputado que o inquiria, Henrique Fontana (PT/RS): ?Eu não cuspo nas minhas bandeiras de luta. Apoio o modelo neoliberal do ministro Palocci. Eu não mudei?, disse Jefferson, em tom de provocação e de mofa. Como bem diz a Carta ao povo brasileiro, ?a sociedade não suporta mais tamanhas taxas de juros, as mais altas do mundo, sob o pretexto de combater a inflação?. A sociedade não sustenta a manutenção de um superávit primário. É a volta de um fator que andou meio represado neste primeiro tempo de governo Lula: povo na rua, sem o qual nunca se fez até hoje uma só experiência de administração progressista. Povo na rua para combater a corrupção e também para pedir, exigir, cobrar as mudanças na política econômica. Povo na rua para dizer aos brasileiros e ao presidente da República: ?É a economia, companheiro!?. (*) É jornalista.

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