Opinião
Viv�ncia partilhada da gravidez
Jovânia de Oliveira e Silva * A gravidez é vista como um processo em que se constituem mudanças inter-relacionadas com o equilíbrio fisiológico e psicossocial ante as relações interpessoais. É descrita como momento de crise ou transição existencial. Considerando que a gravidez ocasiona modificações fisiológicas e emocionais inerentes ao ciclo gravídico-puerperal, justifica-se o estado de certo grau de ansiedade vivenciada pela mulher. O ciclo gravídico-puerperal é um processo dinâmico, mutável, individualizador e, ao mesmo tempo, socializador implicando em novas exigências para a mulher que o experimenta, partilhando-o com as pessoas do seu convívio, em especial, seu companheiro. De acordo com os estudiosos, até pouco tempo atrás a participação do homem na gravidez resumia-se em três momentos, referentes às tentativas de engravidar sua companheira, a notícia da gravidez e ao nascimento do filho, o que, durante os noves meses pertencia ao mundo feminino. Tenho observado em minha experiência profissional que a participação do homem através da atitude de acompanhar a gestação de sua companheira vem se tornando cada dia mais expressiva, sendo esta, resultante de sua sensibilização para compreender a importância da vivência partilhada na gravidez. Mas o que significa vivência? Os pensadores contemporâneos, dentre eles Gadamer, em constante diálogo com o pensamento heideggeriano, acredita que a vivência representa algo inesquecível e insubstituível, basicamente inesgotável para determinação compreensível de seu significado. Partilhar a vivência da gravidez implica em um processo inicial de sensibilização do casal que na situação presente precisa envolver-se, a fim de possibilitar a compreensão para a partilha desta vivência, o que significa ser efetiva e afetivamente um casal grávido. A vivência partilhada da gravidez pelo casal grávido representa para a gestante um modo especial de demonstração de apoio, pelo companheiro, de maneira significativa, possibilitando consideravelmente o envolver de uma gravidez mais tranqüila onde a mulher poderá vivenciá-la com satisfação, sentindo-se acolhida, amada, mulher, de modo a partilhar seus sentimentos de ansiedade, angústia, ambigüidade e, mais freqüentemente, o medo - sentimento que se apresenta para a mulher durante todo o processo gestacional, sendo desse modo, uma experiência que a gestante necessita partilhar com seu companheiro. Contudo, a partilha da vivência da gravidez somente se efetivará mediante o envolvimento e interação homem-mulher. (*) É enfermeira e professora da Ufal.