Opinião
Efeito preocupante
A mais nova Sondagem de Expectativas do Consumidor, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), acaba de mostrar alguns dos primeiros efeitos da crise política que o País vive. Os dados foram coletados no mês passado, destacando a queda de confiança em relação ao futuro do País. Em comparação a maio, somente o item alusivo à situação econômica da família não piorou e ficou igual (11,7%). Evidências de desesperança começam a aparecer justamente quando a nação gostaria de divisar melhores perspectivas de vida e testemunhar um maior volume de projetos sendo implementados. Principalmente, almejava-se projetos reais para a área social... Mas, no horizonte, só crise. E, naturalmente, tudo isso quando estamos nos aproximando de mais um ano eleitoral. A sondagem indica uma elevação de 28,2% para 35,6%, a maior desde janeiro de 2003, no percentual de consumidores consultados que acham a situação econômica atual pior do que a de seis meses atrás. E para 55,7% deles será mais difícil conseguir emprego neste restante de ano. Justamente um dos problemas que têm sido ressaltados como um dos mais preocupantes, ao lado da violência, nas pesquisas realizadas nos últimos anos. Agora, mais do que nunca, com as importantes metas do milênio estabelecidas pelas Nações Unidas (metas as quais o Brasil deveria cumprir até 2020) na área social, o governo, os partidos políticos e as demais instituições e os variados setores da sociedade civil organizada devem evitar os obstáculos ao desenvolvimento, como as crises e desentendimentos além dos normais no campo da política ? sob pena de contribuírem para a ampliação das desilusões, de frustrações, a exemplo das ocorridas como o Programa do Primeiro Emprego, lançado em 2003 para todo o País e que ainda não deu em nada.