Opinião
O Riacho Salgadinho ontem e hoje
ELIAS TAVARES CORDEIRO * Há anos, às margens do Riacho Salgadinho, tinha uma vegetação rasteira, a água era limpa, descia com rajadas de vento suaves e ia ao encontro do mar, que trazia consigo as ondas, quebrando-se na beira da praia (hoje, praia da Avenida Assis Chateaubriand). Nas águas do Salgadinho, crianças e adultos pescavam e tomavam banho ao longo do seu leito perene, suas águas borbulhavam oxigênio e se jogavam ao mar. Quando a maré ficava cheia, invadia a praia e vinha banhar os seu pés. Hoje está restrito, cercado de concreto, com suas águas sujas e escuras; sobre o seu leito corre microorganismos e lamas estagnadas. O progresso da cidade lhe atropelou; não lhe deram o tratamento que merecia; embalagens não biodegradáveis usadas e entulhos diversos são jogados ao longo do seu percurso. Às vezes, a sua desembocadura é bloqueada com areia para que o turista não perceba a sujeira e a fedentina desagradável que paira no ar. As praias ficam totalmente poluídas e cheias de detritos, panorama desagradável para a população e os visitantes, que vem conhecer Maceió, O Paraíso das Águas. Não tem como esconder de ninguém, a Praia da Avenida é como se fosse a sala de visita da capital alagoana, é o caminho que liga as praias do litoral norte ao do sul. O resquício do Riacho Salgadinho soluça desespero e serve muito bem para aqueles que se locupletam no poder; utilizam-no como escada para se eleger. É o primeiro da lista das promessas, nos palanques dos comícios. Causam indignação, prometem tratá-lo e limpá-lo até com vassouras; e alegam que: ?O Salgadinho vai voltar ao que era antes?. Quem acredita vota neles, e mal elegem-se, declinam das suas intrusas impertinências, estabelecendo uma cadeia reprodutora de transgressões; o tempo passa e nada é feito, outras eleições se sucedem e as promessas se renovam e se reproduzem, é uma lástima. Às vezes, tentam tratá-lo como se fosse um doente incurável, inútil, e lhe dão tratamentos simplesmente paliativos, como se fosse um doente condenado à morte, no entanto, esse tratamento é inócuo, não traz nenhum benefício ao suplicante. É necessário que a sociedade faça um estudo detalhado de todos os males que o Salgadinho foi acometido, num laboratório competente, bem criterioso para termos um verdadeiro diagnóstico desse mal. Porém, já sabemos qual o medicamento a ser aplicado. Pelo conhecimento que temos do ontem e do hoje, esse remédio é ?o seu voto consciente? para não eleger políticos deformados, que vão destruindo as últimas reservas de vitalidade das instituições do nosso Estado. (*) É advogado.