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Jean Paul Sartre

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Teomirtes Malta * ?O inferno são os outros?, dizia Jean Paul Sartre, cujo centenário se comemorou no dia 21 de junho. Esta frase tornou-se um bordão, mesmo para os que não sabiam o que era existencialismo que mostra a distinção entre a essência e a existência, correspondendo a diferença entre conhecimento intelectual e conhecimento sensível. A existência sempre precede à essência. Sartre foi um escritor e pensador francês existencialista que expressou suas idéias não só em obras filosóficas, mas em romances, peças e contos. Nascido em Paris, sua produção intelectual foi fortemente marcada pela Segunda Guerra Mundial e pela ocupação nazista na França. Estudou na Escola Normal Superior da França. Convocado para o serviço militar, em 1939, foi prisioneiro dos alemães e, quando libertado, participou da Resistência. Após a guerra foi licenciado por tempo indeterminado. Sartre escreveu sua obra filosófica principal, o Ser e o Nada, em 1943. Nela, o filósofo francês investiga a natureza e as formas da existência ou ser. Acredita que o homem é completamente livre, mas teme reconhecer essa liberdade e aceitá-la. Com a frase ?O homem está condenado à liberdade?, Sartre foi um defensor desse direito essencial. Daí, seguindo as idéias do filósofo, os hippies a apregoavam ao amor e paz. Em Paris, os estudantes, em maio de 1968, descontentes com a disciplina rígida, os currículos escolares e a estrutura acadêmica conservadora, organizaram protestos com slogans como: ?É proibido proibir?, ?O Poder está nas Ruas? e ?A Imaginação no Poder?. Vê-se aí a sua influência na juventude que provocou essa revolução entre estudantes e policiais, estendendo-se o protesto a outros vários países da Europa e do mundo. A Náusea foi um dos livros mais lidos pela geração de 60. Exerceu influência entre grandes escritores, como Clarice Lispector. Em seu pensamento Sartre expressou a angústia e o desespero que propiciam acesso à essência da condição humana e do próprio ser. A fragilidade da existência humana, a solidão, o tédio, o nada, a alienação são alguns dos temas de que se ocuparam os existencialistas. Ao lado de Simone de Beauvoir, também filósofa existencialista e sua companheira de toda a vida, Sartre participou da vida política, não só da França, mas do mundo inteiro. Em 1964 foi escolhido para receber o prêmio Nobel de Literatura, mas recusou por defender que ?o escritor não se deve deixar transformar-se pelas instituições?. Sartre foi um dos homens que refletiu muito sobre o Homem, sobre o seu ser enquanto existe. Para o filósofo, o homem existe, se descobre, surge no mundo e só depois se define. Ele é responsável por si próprio, isto é, por todos os homens. (*) É escritora e componente da Academia Alagoana de Letras.

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