Opinião
Tempos modernos e doen�as
MILTON HÊNIO * Cada época teve suas enfermidades características: a Idade Média teve a peste bubônica, o Renascimento teve a sífilis que perdurou muitas anos e a Era Romântica teve a tuberculose. O advento de um modo de vida industrializado e urbano fez surgir uma multidão de novas doenças. O homem moderno está assediado por mais pressões inexoráveis e estímulos rápidos do que em qualquer outra época. Talvez essas mudanças que o homem moderno sofre a todo instante, impõe exigências físicas e mentais. No momento, eu diria que os freqüentes distúrbios orgânicos do homem são resultantes em sua maioria de causas psicológicas. Pesquisas recentes mostram as drásticas mudanças na vida da família brasileira nos últimos anos, como por exemplo: quase metade de todos os casamentos realizados atualmente terminam em separação antes dos 5 anos; 1/3 das mulheres brasileiras com filhos de menos de 3 anos de idade trabalham fora; o número de casais que vivem juntos sem serem casados, mais do que dobro desde 1980. Milhões de comprimidos de tranqüilizantes são consumidos diariamente no Brasil. Para os laboratórios uma maravilha, lucros estrondosos, para nós brasileiros, sinal de que andamos meio angustiados. À medida que a situação econômica do País piora, com tantas notícias de corrupção, com o aumento do desemprego, aumenta também o número de pessoas com estresse. Há séculos, Aristóteles já dizia que tudo que afeta a alma envolve o corpo: paixão, ódio, amor, inveja, medo etc... O fumo, a obesidade, a hipertensão e a falta de exercícios regulares têm sido considerados pelos estudiosos os fatores principais no desenvolvimento das coronariopatias (infarto, por exemplo). Entretanto, está provado que o pior de todos esses fatores é a tensão emocional. A raiva mata mais do que a comida. Ou qualquer emoção negativa. Foi feita uma pesquisa em são Paulo, no Instituto do Coração, mostrando que de 100 pacientes portadores de coronariopatias na faixa dos 40 anos de idade, 95% tinham dois empregos, trabalhavam mais de 60 horas por semana, almoçavam correndo e trabalhavam com insegurança e intranqüilidade. A doença representa assim, um insucesso do organismo para adaptar-se a alguma influência potencialmente destruidora. Aceitar o desafio da vida, com coragem e fé em Deus é a solução. Vivemos sempre em busca da felicidade, e Vicente de Carvalho disse que nós não a alcançamos nunca ?porque está sempre apenas onde a pomos, e nunca a pomos onde nós estamos?. Vida é prêmio. E envelhecer nos dias atuais é uma vitória. (*) É médico.