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A import�ncia das academias

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DOM FERNANDO IÓRIO * ?A imortalidade, assevera Diderot, é aquela espécie de vida que adquirimos na memória dos homens?. Existem as Academias e vivem na história para enriquecer a memória dos seres humanos. Elas são vividas e lembradas como o tesouro da criatividade artística e literária dos criadores da beleza estética das coisas criadas. Por isso, equivocam-se aqueles que, tendenciosamente, se aprazem em minimizar as Academias, como se fossem elas repositório de valores mumificados que, voltados para o tempo pretérito, se abstraíssem do agora do tempo, insensíveis aos conflitos sociais, não contemporizando com as tendências vanguardistas. Somente os intelectuais falidos, incapazes de uma ascensão ao pináculo das Academias, reduzem ou negam o valor desses cenáculos do pensar e do fazer literário. As Academias não são de agora, vêm dos tempos de antanho. Remontam a um Parque, próximo de Atenas, erigido por Academus, onde Platão estabelecera sua Academia Grega. Em Literatura, trata-se de associações de artistas e escritores que se reúnem para fins de criação estética para o cuidado da língua e o fomento da produção literária e artística. Não é, portanto, o acadêmico um inativo que se tornou imortal para se aposentar das letras, senão um criador do belo literário capaz de dar rumos novos à sociedade. Aceitando, como fato natural, a rebeldia instintiva das novas gerações, mantiveram-se as Academias, contudo, as Academias em posição de fidelidade às origens, vigilantes às investidas dos apologistas de concepão revocatória dos padrões tradicionais. Tratando-se, como se trata, de instituições aglutinadoras de correntes diversificadas e de formação de estilos diversos de cultura, é evidente que não poderiam as Academias sectarizar-se, dividir-se em grupos políticos homogêneos com intento de se constituírem formando tal ou qual ideologia. Não é de se afirmar, nisso, uma postura acadêmica contemplativa, tão somente. Nem por isso se vai negar a sua sincronização com os diversos ciclos de transição cultural que ocorreram e ocorrem ao longo da história. Estou em que cada acadêmico pode sobraçar qualquer tipo de produção participativa, ideológica, política e religiosa, contanto que venha sua manifestação ornamentada de literariedade, fugindo ao referencial. Seguindo essa linha de raciocínio, não temo asserir que por mais que se pretenda negar às Academias seu importante papel na vida literária, elas aí se encontram não como museus, mas como forças vivas da inteligência e do espírito. As Academias não dormem, ao contrário, vivem embelezando os caminhos das estruturas frásicas do fazer literário. (*) É bispo de Palmeira dos Índios.

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