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Opinião

Tempos explosivos

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Impossível não se chocar com a onda de morte, pela via do terrorismo, que se espalha pelo mundo. O século XXI está se comprovando igual aos anteriores, em termos de barbarismo. Cai por terra a histórica ilusão do ?tempo de paz? nesse início de novo milênio. Apenas para lembrar um século atrás, um dos marcos sangrentos no início do século passado se deu precisamente em 1905, com a guerra entre Rússia e Japão, embate onde ? pela vez primeira ? uma potência ocidental caiu frente a um potentado oriental. O Japão venceu a guerra e se afirmou como força ascendente naqueles tempos. Uma guerra terrível, como todas, mas um conflito armado convencional, com teatros de operações definidos e (pelo menos) algumas regras a serem seguidas pelos contendores. Cem anos depois vivemos uma guerra sem regras, com um dos lados sem farda e mais das vezes, sem rosto; nesta guerra de hoje, o teatro de operações são os lares, os ônibus, metrôs, aglomerados de crianças ? isso de um lado. Do outro lado, os alvos civis também são castigados em bombardeios cujas baixas sequer são contadas e governos títeres reafirmam sua incapacidade em encaminhar qualquer solução. Ocidente e oriente misturam-se em sangue, embora o epicentro possa ser facilmente identificado: o oriente médio. Impossível se ter ilusão que esta guerra dos nossos dias possa ter fim próximo. Ao contrário de um século atrás, depois das vitórias decisivas dos japoneses em Port Arthur, Shenyang e Tsushima, os russos reconhecem a derrota e, em setembro de 1905, é assinado um tratado de paz (Rússia tzarista e Japão imperial assinaram a paz nos Estados Unidos). E fim. Pelo menos aquela guerra terminou ali. Hoje, a cada bomba dos terroristas, a cada bombardeio dos americanos, começa tudo novamente. Ou melhor dizendo, a cada momento, a cada morte, essa guerra interminável lembra que não acabou.

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