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O golpismo e seus c�nicos

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Sérgio Barroso * ?Para salvar o homem Lula o eleitor incinerou o Lula presidente? (Antonio Lavareda, Veja, 13/7/2005). A sórdida declaração veio do sociólogo tucano Lavareda, em função de uma ?pesquisa?, publicada na Veja - a maior revista americana na língua portuguesa -, registrando 55% dos entrevistados crendo que ?Lula sabia da corrupção no governo?. Seguiu-se o anúncio feito pelo senador Arthur Virgilio (PSDB), que está redigindo emenda à Constituição Federal, acabando com a reeleição em todos os níveis, a vigorar em 2010, ?em princípio?. Na verdade não é nada ?em princípio?: ?Se o presidente tomar a iniciativa e disser que não é candidato em 2006, podemos antecipar a vigência da emenda?, confessou a tramóia o tucano Virgílio (Valor Econômico, 11/7/2005). Já no fim de semana passada, espetáculos deprimentes se repetiram com malas milionárias convergindo a empurrar o governo Lula ainda mais ao fundo do atoleiro. O clima e o ritmo frenéticos do golpismo precisavam ser alimentado com novos fatos decisivos e sóbrios - tal qual coveiros. Antes, na penúltima semana de junho, segundo a revista Época, FHC alertara aos mais afoitos que ?Não pense que se Lula cair a sociedade vai nos chamar para assumir. O povo não morre de saudade da gente?, disse FHC, revelando então sua estratégia: ?Vamos deixar o Lula sangrando e vencer as eleições?. Logo FHC, do escândalo do Sivam; do escândalo da Pasta Rosa, ou o socorro a bancos (PROER); do famoso escândalo da compra de votos (1997) para a reeleição de FHC, no qual os deputados Ronivon Santiago e João Maia (PFL-AC) receberam R$ 200 mil para votar no governo; da desvalorização do real, no início de 1999, ou o socorro (R$ 1,6 bilhão) aos bancos Marka e FonteCidam, vinculados à elite tucana; da negociata da privatização da Telebrás, em que grampos no BNDES flagraram conversas entre L. C. Mendonça de Barros, ministro das Comunicações, e A. Lara Resende, dirigente do banco, articulando apoio da Previ (BB) para beneficiar o banco Opportunity (R$ 24 bilhões); da CPI da Corrupção (2001), quando o governo bloqueou a sua abertura para apurar as denúncias na sua gestão (28 casos de corrupção federal); do caso Eduardo Jorge, secretário-geral do presidente, alvo de denúncias como a liberação de verbas (R$ 169 milhões) para o TRT-SP, montagem do caixa-dois à reeleição de FHC, lobby para empresas de informática, e uso de recursos dos fundos de pensão no processo das privatizações. Ah, observe-se: na pesquisa empresarial da CNT/Sensus (7/12/2005), apenas 12% opinam vincular o presidente às denúncias. (*) É médico e doutorando em Economia Social e do Trabalho.

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