loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

O estigma dos trinta dinheiros

Ouvir
Compartilhar

Marcionilo do Espírito Santo Neto * Quando Judas Iscariotes teve a péssima idéia de entregar Jesus aos sacerdotes, ele o fez por trinta moedas de prata (Mateus 26:15); foi o seu pagamento. Começava assim o estigma dos trinta dinheiros. Depois que Cristo foi preso, Judas arrependeu-se amargamente e tentou devolver o que recebera, porém, os mesmos sacerdotes afirmaram: ?Não é lícito deitá-las no cofre das ofertas, porque é preço de sangue?. Contudo, com aquele dinheiro, compraram um campo, para ?cemitério de forasteiros? (Mateus 27:3-7). Passou-se o tempo... Por estas plagas (possivelmente, também em outras...) muitos eleitores, nas últimas eleições, venderam suas consciências por trinta reais para votar neste ou naquele candidato. Alguns ?sabidos? dizem que ?recebem o dinheiro, mas votam em quem querem?... Não questionam sequer de onde vem esse dinheiro... Outros afirmam que precisam dessa quantia, por que estão desempregados ou não têm o suficiente para viver... Esquecem-se, porém, que tal situação tem como uma das causas o mau gerenciamento da coisa pública, e de seus recursos, que poderiam gerar, se bem-administrados, empregos e melhores salários. A maioria, entretanto, recebe e vota em quem lhes pagou. Não poderá exigir nada do seu representante no futuro, pois teve o voto comprado. E pode acontecer, como aconteceu, de votar, o candidato ganhar, e o eleitor comprado não receber. Indignado e movido pela ganância (e não pelo arrependimento), parte em busca dos seus ?direitos?. Como um Judas às avessas, vai cobrar (e não devolver) a quem lhe corrompeu. A crise política no cenário nacional está aí... Dezenas de parlamentares, segundo as denúncias de certo deputado, venderam seu apoio ao atual governo por trinta mil reais mensais. Deputados escolhidos pelo povo para representá-lo, submetem-se ao famigerado ?mensalão?, negociando a sua vontade e a sua consciência, e, por que não dizer, a própria honra. Contudo, muitos que neles votaram não podem dizer nada, pois venderam seus votos, e os acusados estão recobrando seus investimentos, com juros estratosféricos. E a fonte das negociatas é o Erário ou o tesouro público. Eis aí, portanto, o amaldiçoado e constante valor de trinta dinheiros, que vem se arrastando ao longo dos tempos, numa nefasta trajetória de ambição, com prejuízo da própria consciência, pois, quem deles faz uso, está na verdade abrindo mão do próprio caráter. (*) É funcionário público estadual.

Relacionadas