Opinião
Nervos de a�o
Sérgio Costa * Claro que as recentes notícias de corrupção ridicularizaram ainda mais o nosso País. Mas esses assaltos já se tornaram tão comuns que não surpreendem mais a nação. Quem entrou em polvorosa, talvez preocupada com uma eventual reação popular, foi o principal autor intelectual e material dos crimes: a classe política. Tolice dela! O máximo que podemos conseguir é avaliar o grau de hipocrisia e perversidade do nosso sistema democrático. De fato, sabe o que veio depois dos flagrantes de corrupção e das graves denúncias do deputado Roberto Jefferson? Os suspeitos foram levados à Polícia Federal. Não leitor, com muito esforço fez-se o trivial. Montou-se o palco cênico da CPI no qual o sujo questionará o mal lavado. E quem conhece a nossa cultura sabe o que é assistir a várias reprises de uma peça de teatro enfadonha e previsível. No fim, rolarão alguns anéis e poucos dedos. Afinal, há de se prestar uma satisfação à resignada platéia. Acredite, enquanto o espírito republicano não for capaz de nortear as decisões políticas, os instintos individuais sempre prevalecerão sobre os sociais. Tanto isso é verdade que, como o povo não se indignou nem foi para as ruas exigir respeito, nossos interesses são desprezados. Observe a previsão do tempo. No nosso mundo pairam imensas nuvens negras. No da classe política, o sol acordou resplandecente como nunca. E o governo aproveitou o tempo para costurar os enxovais do seu futuro casamento com o PMDB. A noiva, que não é mais nenhuma vestal, diga-se, anda meio desconfiada e arisca. Mas não tenha dúvida de que ela dirá o sim. Há ou não algo de errado com a nossa democracia? Para obter apoio legislativo, o governo eleito pela maioria vê-se obrigado a casar às pressas e, sem nenhum pudor e sem a nossa autorização, resolve presentear a futura esposa com ministérios, estatais, empregos públicos privilegiados e sabe-se lá o que mais. Vamos sintetizar tudo isso? O mensalão é ilegal, imoral e engorda, o casamento, não! É isso aí, as tempestades sempre caem sobre nossas cabeças! Além de ver o nosso dinheiro escorrer pelos ralos dos desperdícios, ainda somos obrigados a trabalhar em média três meses por ano para pagar impostos em benefício do bem-estar comum. E, mesmo assim, andamos com medo de parar no sinal de trânsito, de ir ao futebol ou, quem sabe, ir de encontro a uma bala perdida. O pior de tudo é olhar para o futuro e não ver um raio de sol. Sabe por quê? Porque se os políticos são iguais ao Sr. Jefferson (pelo menos cara a cara ninguém contestou a provocação que ele fez na CPI) quem garante que o próximo governo fará diferente de tudo que aí está? Realmente, é preciso ter nervos de aço. (*) É contador