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Opinião

A crise moral

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Elias Tavares Cordeiro * Valendo-nos de Ruy Barbosa e do próprio mausoléu que abriga os restos da sua matéria, ainda sua linguagem há de continuar importunando aos desconchavos, com teimosia, tão justas alcançam construir a prosperidade deste Brasil de que ele foi a própria alma. Dizia Ruy, ao abordar a Crise Moral: ?Aí temos a consagração da incompetência moral, a benevolência administrativa liberalizada à improbidade notória e oficial. Outras vezes é a incompetência profissional, vulgar e absoluta. Aos cargos mais eminentes do serviço administrativo, como aos da política, os que se elevam são os mais obtusos e os mais desacreditados. Criam-se até ministérios para se encherem de nepotas e favoritos?. Falamos nós também dos organismos ligados aos ministérios, através de cordão umbilical, com desfaçatez, alargando as franquias, fazendo indicações para cargos de confiança. Se o Ruy voltasse hoje à Pátria, verificaria que nada mudou, continua a mesma conduta perigosa aos reais interesses vitais do Brasil. Nessa atual conjuntura, a verdade, por mais penosa que possa parecer, deve ser levada a sério. O nosso País parece que foi atacado por uma avalanche de improbidades, atingindo a tranqüilidade da nação. Enquanto isso, no Congresso, a reforma do governo não se concretizou, e assim, pela incúria dos seus próprios representantes, a sociedade se vê desguarnecida, e a própria autoridade se verifica impedida em seu exercício. Que se promova auditorias investigatórias, para punir os parlamentares dissimulados com suas truculências, onde os fatos estão a exigir providências radicais. Não podemos permitir que o futuro do nosso país se obscureça e o seu fecundo sonho seja mutilado pela corrupção. O futuro da nossa nação reside na dependência da imunização moral da geração que vem surgindo; nosso idealismo nos responsabiliza respirar um clima evolutivo de hábitos e costumes, convenientemente saturado pelo oxigênio de máximo respeito com que mutuamente, os homens se devem reconhecer, no sentido de fraternidade. Cerceiem-se os atuais desonestos e se desperte a prática da moralidade e dos bons costumes. Será o advento de uma nova nação, que em vez de irem degenerando conforme vem acontecendo nas gerações pela retransmissão das suas taras e dos seus vícios, haverá um procedimento contrário, onde a preocupação do bom exemplo irá traumatizar à desvergonha de outros tantos, forçando-os a enxergar às trevas das suas próprias consciências, recuperando o brio e a dignidade. Para extinguir esse mal é necessário eliminar as causas com o expurgo de todos os responsáveis. (*) É advogado.

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