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Quem matou as crian�as?

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Luiz Barroso Filho * No dia 11 de julho de 2004, três crianças desapareceram misteriosamente numa mata do distrito de Cachoeira do Meirim, na periferia de Maceió. Os irmãos Carla, Alexandra e Alexandro, de 6, 4 e 3 anos, respectivamente, encontravam-se acompanhados da mãe, Maria Aparecida, portadora de problemas mentais, que não soube esclarecer a respeito do paradeiro dos filhos, quando foi localizada, em estado de choque, no dia 12 de julho. Naquela ocasião, depois de algumas buscas infrutíferas feitas pelo Corpo de Bombeiros, pela polícia e por populares, o trabalhador rural Mário Ferreira, pai dos menores, disse que acreditava que eles estavam sendo protegidos pela Comadre Florzinha, um mito do folclore brasileiro que habita nossas florestas e que, segundo a lenda, assusta e surra as crianças fujonas, mantendo-as sob sua guarda. Inexplicavelmente, o intrigante caso logo caiu no esquecimento, até que passados vários meses algumas ossadas humanas foram encontradas numa área pertencente à mata onde ocorreu o sumiço. Recentemente, os exames realizados nos esqueletos confirmaram que se tratavam dos restos mortais de duas das três crianças (Carla e Alexandra). Como ainda não foi analisado todo o material recolhido, é possível que a ossada da terceira vítima (Alexandro) seja identificada, infelizmente. O resultado trágico desse episódio, que não vem merecendo o tratamento adequado no sentido do seu esclarecimento, revela a gravíssima situação do menor carente no Brasil, sempre exposto a todo o tipo de violência, graças a falta de proteção do Poder Público e a omissão da sociedade, o que depõem contra a cidadania e o desenvolvimento do País. A tragédia que atingiu essa família de excluídos, cuja mãe sofre de distúrbios mentais, o pai é um simplório rurícola e os três filhos falecidos não possuíam sequer Certidão de Nascimento, poderia ter sido evitada se pessoas nessas condições recebessem mais atenção do Estado, principalmente para que as crianças tivessem acesso regular à escola e contassem com ações efetivas dos Conselhos Tutelares, conforme assegura o Estatuto da Criança e do Adolescente. O pior é que, mesmo com a identificação das vítimas, talvez o misterioso caso jamais seja elucidado. Contudo, é dever do Estado aprofundar as investigações para descobrir quem matou as crianças. Evidentemente, excluindo a Comadre Florzinha do rol dos suspeitos, porque ela é a única personagem realmente isenta de culpa nessa história. (*) É advogado e membro da Academia Maceioense de Letras.

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