Opinião
Marcos Val�rio parece, mas n�o �
Luciano Quirino * Quem não lembra da propaganda do xampu Denorex? Aquela que encerrava dizendo: ?Parece, mas não é?. Era uma espécie de alerta para que as pessoas não confundissem o Denorex com outros xampus. Parece até engraçado começar uma história com xampu para falar de um ?careca?. Mas na verdade essa história não tem graça nenhuma. As constantes e quentes notícias que borbulham em Brasília estão levantando uma série de questionamentos. Tem sido inquietante ver personagens envolvidos em situações extremamente suspeitas estarem contribuindo para denegrir a imagem de profissões que merecem respeito. Esse é o caso dos publicitários e das agências de publicidade. A descoberta das maracutaias do ensaboado Marcos Valério pode incentivar um preconceito grosseiro e injusto a respeito da atividade publicitária. O desvio da conduta de uns poucos não pode ser pago por uma classe ética e de tamanha representatividade para nosso país. Uma classe que conta com entidades sérias e idôneas que regulamentam suas atividades, como o Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária - CONAR, instituição que fiscaliza a ética da propaganda comercial veiculada no Brasil, por meio das disposições contidas no Código Brasileiro de Auto-regulamentação Publicitária e a Associação Brasileira de Agências de Publicidade - Abap, que, inclusive, tem seu capítulo aqui em Alagoas. Nossa publicidade é uma das melhores e mais premiadas do mundo. Tem criatividade reconhecida e compete em pé de igualdade com EUA, Europa e outros países. Teve e tem papel fundamental não somente na promoção e desenvolvimento do mercado, mas também no incentivo à cidadania, à educação, à ética e à cultura brasileira. Publicidade e publicitários são fundamentais a uma sociedade aberta, a uma economia de mercado competitiva e aos meios de comunicação. A viabilidade comercial dos meios de comunicação é um pressuposto de liberdade e independência editorial e garante o acesso à informação, cultura e entretenimento. Quem vive ou conhece o dia-a-dia das agências de publicidade sabe que as armações de Marcos Valério em nada o identifica como ?publicitário?. Em seu depoimento à CPI dos Correios, afirmou inúmeras vezes não ser ?expert? em contabilidade, finanças, direito. Muito menos sua especialização é publicidade. Seu perfil mais se assemelha a um corretor de grandes e duvidosos contratos. Os publicitários não podem ficar à mercê do preconceito e discriminação a partir do mau exemplo de Marcos Valério. Elepode até estar ?aparecendo? como publicitário. Mas, com certeza, ele não é. (*) É jornalista e publicitário.