Opinião
Vendendo o qu�?
BRUNO FERREIRA * No momento em que um turbilhão de denúncias surge no cenário político brasileiro, é preciso valorizar o papel da imprensa em esclarecer a população dos fatos reais. Uma vez que profissões e segmentos produtivos legítimos, como é o mercado publicitário. Não podem ser comprometidos por atos lícitos ou não de personagens que ?se dizem? parte dele. Já diz o Código de ética dos profissionais da propaganda, em seu capítulo I que, ?a propaganda é a técnica de criar opinião pública favorável a um determinado produto, serviço, instituição ou idéia?. Sendo assim, como podemos classificar o Sr. Marcos Valério como ?publicitário?? Culpado ou não pelos fatos dos quais está sendo acusado, esse senhor que se apresenta como publicitário não está fazendo outra coisa senão fomentar a opinião desfavorável a coisa pública, a política brasileira e ao mercado publicitário do País. E o mercado publicitário não se faz juiz, mas se levanta em defesa própria para propagar sua força e importância em uma economia de mercado competitivo. Ela fortalece o crescimento econômico do País e pode-se, ainda, dizer que é uma das mais premiadas no mundo. As agências que fazem parte da Associação Brasileira das Agências de Publicidade (Abap) representam 75% de todo o investimento publicitário brasileiro em mídia. Elas também movimentam cerca de 2.800 profissionais e 3.900 clientes, tornando a entidade como a maior do setor na América Latina. É preciso esclarecer a população que do valor total de um contrato, apenas 15% compete à agência, sendo todo o restante destinado basicamente à compra de espaço publicitário nos meios de comunicação. Com estes 15% (que são a receita bruta total das agências), a agência recolhe impostos, remunera-se, paga salários e todos os seus custos operacionais. Entretanto, não é isso que vem sendo questionado no caso específico que envolve o Sr. Marcos Valério e suas empresas. O que se questiona, na realidade, não é o serviço publicitário, mas a ?megacorretagem? e também o transporte de valores com finalidades, no mínimo, questionáveis. A sociedade ultimamente exige transparência nos negócios que envolvem interesses públicos e recursos provenientes do Estado. A Associação Brasileira de Agências de Publicidade aplaude qualquer iniciativa que preserve a lisura, a verdade e a justiça, uma vez que somente apurando e identificando os ?culpados? é que será possível separar o joio do trigo. (*) É publicitário e presidente do Capítulo Abap/AL.