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Urnas e paz

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Felizmente, o sentimento da cidadania vai se reafirmando como maior que a desilusão causada pelas crises políticas. Nesses dias em curso, no olho do furacão de uma das maiores ondas de denúncias e maracutaias comprovadas da história do País, a sociedade (particularmente a juventude) dedica horas e horas em cansativas filas para regularizar sua situação eleitoral para não correr riscos de ficar de fora do exercício do voto. Cartórios eleitorais repletos de gente oferecem cenas alvissareiras para a democracia. O motivo de tanta aglomeração é a necessidade de regularização de títulos de eleitor para que seus portadores estejam habilitados para uma votação onde não existem pessoas candidatas, nem mesmo partidos políticos. A mobilização em curso é para o referendo sobre a comercialização de armas no Brasil. Os votos serão colhidos em todo o Brasil no dia 23 de outubro e as opções são simples e claras: será autorizado ou será proibido o comércio de armas em todo o País. Como uma reação natural à crescente onda de violência e uso de armas de fogo no Brasil, as expectativas é de crescimento do sentimento de que o mais correto seria a supressão da comercialização de todos os tipos de armamento ? mas, até o dia da votação, é previsível também que quem discorda dessa idéia venha a público defender seus pontos de vista (nos EUA, por exemplo, é muito forte o lobby dos defensores do comércio e porte de armas). Será igualmente importante também que não se vá às urnas achando que uma lei, por mais importante que seja, poderá resolver o gravíssimo problema do banditismo e da violência. A legislação, restringindo drasticamente o uso e comercialização do armamento, deverá ser uma importante ajuda na luta pela paz.

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