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Exageros de quem?

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MARCOS DAVI MELO * O jornal Financial Times publicou com destaque esta semana que a imprensa brasileira com seus exageros alimentava a atual crise política. Em seguida, o líder tucano no Senado, senador Artur Virgílio, deu como opção para o presidente Lula apenas as condições de corrupto ou idiota. O próprio Lula, não faz muito tempo, afirmou não ter medo de nenhuma CPI e avalizou Roberto Jefferson integralmente. A Polícia Federal em outra megaoperação invadiu com 240 homens armados até os dentes a loja de grã-finos e supérfluos Daslu, que sonegava imposto. A pirotecnia reapresentada ensombrou os méritos reais da operação e fez com que várias organizações acreditadas na sociedade, como a OAB, viessem a público denunciar o que acreditou ser um abuso. Como deve se comportar a mídia em uma crise como esta? ?A tarefa da imprensa é encorajar o debate, não suprir o público de informação?, é a opinião provocativa de Cristopher Lasch. Um pensamento cético é o de Samuel Butler: ?O mais importante serviço prestado pelos jornais e revistas é educar as pessoas a encarar matéria impressa com desconfiança?. O senador César Borges do PFL pediu o cancelamento do registro do PT. Não seria exagero tanto a aura falsa que o PT cultivava de guardião da ética e dos bons costumes, quanto à eliminação deste partido do cenário político? Afinal uma cúpula comprometida grosseiramente com desmandos variados é justificativa para sepultar toda a história do PT? Na perspectiva de publicar bombas antes dos concorrentes, o Estadão atravessou: abastecido pelo deputado federal Rodrigo Maia, lançou acodadamente o nome de mais de vinte deputados federais que estariam ganhando mensalão e foi violentamente desmentido pela maioria dos acusados. Na quinta-feira, a Polícia Federal prendeu o político tucano Lucena da Paraíba, que se autointitulou um preso político e deu espaço para o seu caso ser explorado pela cúpula do PSDB como terrorismo de Estado. Um Conselho da República que tem a presença de representante da UNE e não a de um reitor; um político com a biografia de Lula e que se deixa respingar por um esquema de corrupção como o que se desvenda atualmente, não pode ser creditado ao exagero de imprensa. Foi em momento semelhante que Tomas Jefferson afirmou: ?Entre jornais e governos, se tivesse que escolher, preferiria jornais?. Mas não nos empolguemos, e é de Walt Whitman o alerta: ?A imprensa não substitui as instituições?. Pelo que vimos até agora, os caminhos que a crise vai tomar e como será o seu desfecho, dependerão muito mais dos exageros dos homens do que dos da mídia. (*) É médico.

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