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Ana e Joaquim

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DOM JOSÉ CARLOS MELO, CM* Neste mês de julho, no dia 26, o calendário dos Santos homenageia os avós de Jesus Cristo, Joaquim e Ana. Partindo do evangelho apócrifo de São Tiago no século II, ou seja, escritos que não fazem parte do Cânon Bíblico, surge a história dos pais da Bem- Aventurada Virgem Maria. O embasamento bíblico que temos é a história da Mãe de Samuel que se chamava Ana. Sendo estéril, dirigiu fervorosa oração ao Senhor e fez promessa de consagrar ao serviço de Deus o futuro filho. Obtida a graça, após ter dado à luz o pequeno Samuel, levou-o a Silo, onde estava a Arca da Aliança e o confiou ao sacerdote Eli, após tê-lo oferecido ao Senhor. O culto para com os Santos pais da Bem-Aventurada Virgem é muito antigo, entre os gregos sobretudo. No Oriente venerava-se Santa Ana no século VI, e tal devoção estendeu-se por todo o Ocidente a partir do século X até atingir o seu máximo desenvolvimento no século XV. Em 1584, foi instituída a festividade de Santa Ana, enquanto São Joaquim era deixado de lado, talvez pela própria discordância sobre o seu nome que se revela em outros escritos apócrifos, posteriores ao Proto-evangelho de Tiago. Além do nome de Joaquim ao Pai de Nossa Senhora é dado o nome de Cléofas, de Sadoc e de Eli. Os dois eram comemorados separadamente: Santa Ana a 25 de julho pelos gregos e no dia seguinte pelos latinos. Em 1584, São Joaquim achou espaço no calendário litúrgico, primeiro a 20 de março, para passar ao domingo da oitava da Assunção em 1738, em seguida a 16 de agosto em 1913 e depois reunir-se com a Santa esposa, no novo calendário litúrgico, em 26 de julho. Celebrando os avós de Jesus, colocamos em evidência o papel da família no seio da sociedade. Como dizia o Papa João Paulo II, ?A família é o berço que nutre a sociedade?, é necessário que Jesus Cristo seja o fundamento e a razão para o aprimoramento de um compromisso de fé. Fiel ao seu Fundador, a Igreja sempre se colocou a serviço da família. Por isso na exortação Apóstolica ?Familiaris Consortio?, de 22/11/81, sobre a família no mundo de hoje, afirmava João Paulo II: ?Consciente de que o matrimônio e a família constituem um dos bens preciosos da humanidade, a Igreja quer fazer chegar a sua voz e oferecer a sua ajuda a quem, conhecendo já o valor do matrimônio e da família, procura vivê-lo fielmente, e a quem está impedido de viver livremente o próprio projeto familiar?. O papa explicava: ?Sustentando os primeiros, iluminando os segundos e ajudando os outros, a Igreja oferece serviço a cada homem interessado nos caminhos do matrimônio, ajudando-os a descobrir e a grandeza da vocação ao amor e ao serviço da vida?. (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.

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