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O m�dico e o hospital

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MILTON HÊNIO * Faleceu no último dia 13 de julho um dos médicos mais humanitários que Alagoas já conheceu: Dr. Hélvio de Farias Auto. Em 1961 foi meu professor de infectologia, cujas aulas eram dadas no velho hospital D. Constança, que era a sua vida. Ao lado do Dr. José Casado, seu assistente e parente, Hélvio fazia daquele hospital a razão do seu viver profissional, a sua grande missão de ser médico. Lembro-me das simples enfermarias, singelas, mas muito bem cuidadas onde os pacientes eram tratados com o maior desvelo. E, bem devagar, lutando com a falta de recursos, Hélvio foi vendo o hospital crescer e, após 40 anos, ficou feliz ao ver o seu grande sonho realizado = o seu hospital que na verdade pertencia ao Estado de Alagoas, transformar-se num grande hospital, de referência no Nordeste, na área de doenças infecto contagiosas. E, merecidamente, recebeu o seu nome: Hospital Hélvio de Farias Auto. E a equipe grandiosa que lá trabalha, entre médicos, enfermeiros, auxiliares, todos enfim, receberam do mestre Hélvio as lições de humanismo, tratando cada doente com o amor que merece. Foi, pois, no ensino da mocidade, aos incontáveis médicos espalhados pelo Brasil, no amor ao magistério, no fervor austero do dever e do labor de uma existência de lutas, lá no seu hospital e no seu consultório, que o meu querido amigo Hélvio, construiu um patrimônio de conceito e dignidade que não se perde e não se desfaz no tempo. Eu dizia que, entre os tesouros da fortuna não sei de outro mais digno e de nobreza mais alta que esse, cuja recompensa não está no peso do dinheiro, mas na consciência e na certeza de que algo se fez de bom e de bem para enriquecer a vida, suavizar o sofrimento dos outros e dar esperança a quem precisa de esperança para viver. Tive a imensa alegria de prefaciar o seu livro Doenças Infecciosas e Parasitárias há 3 anos. O livro é fruto de 53 anos de trabalho ininterruptos com os doentes portadores de doenças infecciosas as mais variadas. Fique feliz ao vê-lo já debilitado no dia 31 de janeiro deste ano em minha posse na presidência da Academia Alagoana de Medicina, onde era membro titular. Diz o Eclesiastes: ?Todas as coisas têm o seu tempo. E tudo que está em baixo do sol tem a sua hora?. Chegou a hora da partida. Fica a saudade de um médico que foi para Alagoas o paradigma de nobreza e cidadania servo do dever e da ética médica. No folder da nossa Academia Alagoana de Medicina está escrito: ?Bem aventurados os que amam a medicina e fazem dela a razão de ser de suas vidas?. Dessa forma fostes um bem-aventurado, meu caro Hélvio. Construiu uma linda família, deixou o exemplo de como ser médico de muitas gerações e partiu ao encontro do Senhor Jesus, feliz por ter cumprindo de forma impecável a sua missão terrena. (*) É médico - [email protected]

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