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O medo estava errado

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Bruno Almeida Brandão * Setembro de 2002. O risco-país do Brasil aumentava a cada dia. Dólar a R$ 3,80. Investimentos no País suspensos ou cancelados. Agropecuaristas, banqueiros, investidores e industriais temerosos. Lula liderava as pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais que se aproximavam. Eleito com quase 53 milhões de votos, a maior votação da história, o operário do ainda jovem Partido dos Trabalhadores triunfava emocionado ? e emocionando a todos ? no seu discurso de posse em 1º de janeiro de 2003. Nem mesmo a posse de Tancredo Neves, o primeiro presidente do regime democrático, selando o fim da era da ditadura militar, fora tão festejada. Glorificado como um mártir, Lula personificava a grande maioria dos brasileiros, afinal, Lula não ouviu falar da fome; passou fome. Lula não ouviu falar dos retirantes; foi retirante. Lula não ouviu falar do desemprego; foi desempregado. Apesar de incompleta, aquela já era a mais bela biografia de nossa história. Mas por que, então, esse terrorismo econômico? A própria história do PT e do seu líder supremo indicavam as razões. Os agropecuaristas temiam uma reforma agrária exagerada. Os banqueiros, tão criticados pelos juros estratosféricos e pelos seus conseqüentes lucros, seguidos pela turma dos investidores e industriais, temiam uma mudança radical na tão combatida (pelo PT) política econômica do governo FHC, cogitando, inclusive, a possibilidade de ser decretada moratória da dívida. Inobstante esse temor, era visível que todos, incluindo-se a oposição, conspiravam no sentido do Lula fazer um bom governo. A área social, com ênfase na educação e na saúde, deveria caminhar a passos largos. A moralidade administrativa, enfim, seria implantada por aquele partido que se diferenciava dos outros, principalmente, nessa área. O que se viu, no entanto, foi exatamente o contrário. Primeiro veio o tão esperado aumento de salário dos funcionários públicos: 1%, após oito anos sem aumento. Seguiu-se a reforma da previdência com a taxação dos queridinhos do PT: os aposentados. O número de famílias assentadas pela reforma agrária foi diminuído. A política neo-liberal foi acentuada. Os bancos batem recordes históricos de lucros a cada trimestre. A arrecadação e a carga tributária também batem recordes. O dólar caiu, o risco-país despencou e tudo parecia ter voltado ao normal, se não fossem os três mil reais entregues a um funcionário do 4º escalão dos correios, cujo flagrante foi exaustivamente divulgado pela imprensa. Resta agora torcer para que Lula salve sua biografia. (*) É advogado.

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