Opinião
Trem da dinheirama
Não pára de se espalhar a teia do trânsito do duvidoso dinheiro de Marcos Valério e suas empresas distribuidoras. Ontem, no momento em que as atenções eram polarizadas pelo depoimento da consorte desse notório empresário mineiro, a CPI dos Correios discutia a convocação do presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo. O chefe dos tucanos apareceu no cenário da CPI desde que o relator da CPI do ?Mensalão?, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), despontou numa lista de sacadores das contas de Valério. Rápido no gatilho, Ibrahim dedurou que os R$ 100 mil lhe foram repassados pelo comitê de Eduardo Azeredo ainda na campanha de 1998. Não será estranho essa notícia vir a ser eclipsada pelas respostas da esposa e sócia de Valério, até pela quantidade de novos indícios que surgem a cada fala na CPI. Também não será estranho a rapidez de alguma ?operação abafa? em torno das ligações monetárias entre Valério e o presidente do PSDB, afinal o tucanato está empoleirado como ave vigilante da ética e dos bons costumes e seus emplumados líderes deverão encetar esforços para afastar esse cálice do bico da CPI. Se a grande mídia nacional tivesse para com Minas Gerais o preconceito que tem para com o Nordeste, não resta dúvida que o noticiário estaria rotulado com alguma frase que amarrasse o nome do Estado ao momento que é considerado negativo. Não se deve ignorar o impressionante emaranhado de ligações perigosas envolvendo o dito publicitário e luminares tucanos (e expoentes de outras siglas de ?oposição?). O envolvimento do presidente nacional do PSDB neste esquema pode revelar o mecanismo de uma azeitada máquina de tráfico de dinheiro, que já funcionava a pleno vapor no Brasil, antes mesmo de Delúbio e companheirada embarcarem nesse trem.