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Desenvolvimento sustent�vel

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JENNER BASTOS FILHO * Há pelo menos três maneiras de se caracterizar o desenvolvimento sustentável. A primeira delas é a afirmação segundo a qual um desenvolvimento somente pode ser considerado sustentável se levar em conta, concomitante e harmonicamente, as suas dimensões respectivamente econômica, social e ecológica. Segundo uma caracterização desse tipo, o desenvolvimento sustentável é aquele que é eficiente economicamente, prudente ecologicamente e que, além disso, provê eqüidade social. Uma segunda maneira é aquela do Relatório Brundtland: desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades das gerações atuais, mas sem esgotar os recursos naturais para que as gerações futuras também satisfaçam as suas necessidades. Uma terceira maneira é a que o amazonólogo Armando Dias Mendes sugere como caminho. Trata-se de uma combinação entre três princípios: o princípio franciscano da reverência em relação aos bens naturais com o princípio beneditino do empreendimento caracterizado pelo ora et labora (ore e trabalhe) e com o princípio inaciano da moderação, este último caracterizado pelo use, mas cuide e não abuse. Evidentemente, todas as caracterizações acima suscitam problemas, desafios e dúvidas quanto à sua exeqüibilidade. Na primeira é necessário estarmos de acordo sobre que tipo de eficiência econômica melhor enseja a prudência ecológica e a eqüidade social. Trata-se de questão complexa que suscita muita discussão e necessidade de tomada de decisões. Na segunda, o caráter vago da expressão ?atendimento às necessidades? suscita questões profundas, pois não somente há necessidades básicas como comida, educação, segurança, vestuário e lazer. Há também as necessidades do espírito. Além disso, o que significa a solidariedade com as gerações futuras se não logramos sequer a solidariedade com os nossos contemporâneos (solidariedade sincrônica)? Ademais, várias classes sociais pertencem a uma mesma geração e são responsáveis pelos impactos causados ao ambiente e pelos acessos aos recursos e bens naturais. A terceira caracterização também padece de várias ambigüidades, pois como conciliar estes três princípios? Como o princípio inaciano pode servir de moderador entre a contemplação franciscana do valor inerente de todos os bens naturais com o princípio já nem tão beneditino assim do apetite cada vez mais empreendedor característico de tempos cada vez mais insaciáveis? O desenvolvimento sustentável deve ser estudado à luz de suas possibilidades. (*) É doutor em Física pela ETH-Zürich e professor da Ufal.

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