Opinião
Dois movimentos
| Eduardo Bomfim * Em face do agravamento da crise política, surgem, por parte das forças conservadoras, duas evidentes iniciativas. Uma delas diz respeito à blindagem da economia, já que esta corresponde, em parte, ao projeto econômico do governo anterior. Quando afirmo, em parte, significa que o aprofundamento, a verticalização do projeto neoliberal adotado no período do presidente Fernando Henrique Cardoso, foi em certa medida sustado. Assim, a política acelerada de privatização das empresas estatais, estratégicas para a economia e a soberania do país, foi estancada. O governo do presidente Lula adota uma política econômica com duas faces, correspondendo à correlação de forças existente na sua gestão. De um lado, o compromisso e a responsabilidade com um projeto nacional de desenvolvimento vinculado ao crescimento sustentado, implicando no fortalecimento do mercado interno, investimento maciço em infra-estrutura, geração em larga escala de emprego e renda. Conferir ao Estado nacional a capacidade de gerenciar e comandar, ao lado da iniciativa privada, os rumos e as prioridades do crescimento nacional, diminuir as desigualdades regionais, investir em vocações econômicas determinadas de cada estado regional. Tudo isso implica em promover a economia, enfrentando a exclusão social e distribuindo a renda. Sabemos que o Brasil, apesar de não ser pobre, é um dos países de maior concentração de riqueza do mundo. No entanto, a orientação do governo em definir a maior taxa de juros do planeta, visando atrair capitais de fora, cujo objetivo principal é a busca do lucro rápido e fácil, chamado de ?capital cigano?, desvinculado de investimentos em setores produtivos, impede a concretização efetiva desse compromisso programático. Desejam as forças conservadoras, com a desestabilização da atual gestão em marcha batida, a aplicação integral do projeto neoliberal. Porque elas temem que a composição das forças organizadas, que integram o atual governo, obtenha, pela pressão interna, o objetivo de adotar um projeto soberano de desenvolvimento com inclusão social, derrotando as aspirações do ?capital cigano? que aufere lucros fabulosos. A outra iniciativa dá-se através do bombardeio implacável por parte da grande mídia nacional, visando à capitulação do governo através de três alternativas: um ?pacto de união nacional?, tornando-o refém dos conservadores e dos grandes financistas, a renúncia ou a destituição do presidente. Urge a resistência, coragem e a luta política como eixo central do movimento nacional e democrático. (*) É advogado.