Opinião
Seguran�a cidad� e CPI
| Luciano Siqueira * O breve diálogo na sala de embarque do aeroporto dos Guararapes, no Recife, sugere um leve sentimento de culpa. O amigo considera um privilégio nossa viagem a Montevidéu para o seminário ?Seguridad Ciudadana en el Cone Sur ? La Seguridad Ciudadana como Política de Estado: desafios de uma Agenda Nacional?, a convite da Fundação Friedrich Ebert. ?É que você fica uns dias sem ver esse noticiário horroroso que deixa a gente sem graça e sem esperança?, diz. Viajar, conhecer outras realidades e outras gentes é sempre bom. Não tanto com a freqüência como temos feito, pois desorganiza a agenda, plena de compromissos oficiais e político-partidários. Pode-se que nesse caso, a oportunidade de um diálogo enriquecedor com técnicos e autoridades do Uruguai, do Chile, da Nicarágua e da Argentina, acerca de tema tão relevante e emergente. Nossa tarefa é abordar as possibilidades da articulação territorial, nos aglomerados urbanos, mediante a interação entre os governos municipais e a sociedade civil ? tendo como referência o Consórcio Metropolitano do Recife, que acumula, há quase dois anos, um conjunto de virtudes e defeitos muito significativos, como experiência piloto que é, pioneira no em nosso País, tendo em vista a implantação do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), que é uma das boas políticas adotadas pelo presidente da República Luís Inácio Lula da Silva. Impossível, entretanto, abstrair a situação brasileira. As pessoas aqui em Montevidéu desejam saber nossa opinião sobre a crise. Solidárias, temem um retrocesso em nosso País que, observam com propriedade, repercutiria muito negativamente sobre o processo de democratização ora em curso no subcontinente sul-americano. E não são poucos os que, desde o início da manhã, pela televisão ou pela Internet, já se informam dos últimos acontecimentos. Com destaque, infelizmente, para os desgastantes e pouco esclarecedores lances protagonizados por senadores e deputados (e por achincalhados depoentes) na CPI dos Correios, que está mais para a pirotecnia do que para a rigorosa apuração das denúncias. A República brasileira, pouco mais do que centenária, tem a marca de uma constante instabilidade política que reflete, em última instância, as condições peculiares de uma sociedade diversa, desigual e injusta. Mas afirmamos com sincera convicção a crise servirá para purgar erros e punir responsáveis, dando azo a um passo adiante na trajetória do nosso povo em busca do seu grande destino. (*) É vice-prefeito de Recife.