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Para al�m do pensamento

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| Dom Fernando Iório * Pensar para além do pensamento faz-se necessário. Experimentar para além da experiência de cada um, torna-se urgente. Suponhamos alguém que nunca tivesse cheirado uma rosa e nós lhe perguntássemos: como é o perfume de uma rosa? É claro que jamais nos explicaria. De modo semelhante, solicitássemos de alguém descrever uma experiência de Deus, de certo, não iria ela responder-nos, vez que todas as palavras proferidas seriam inadequadas, porque Deus está para além do pensamento. Quer você conhecer Deus: ?Não sabemos o que Ele é?. O mesmo assevera a Igreja: ?Qualquer imagem que fizemos de Deus é mais diferente do que parecia com Ele?. Imaginemos o astrônomo apontando para o planeta Vênus; tudo o que o tolo vê é o dedo. Suponhamos que eu esteja apontando parta a Lua e diga: lua. Pode alguém desprevenido chegar a dizer: ?Isto é a Lua?? E olhar para o dedo. Ai está o perigo e a tragédia das palavras. Ao proferir o verbete - Pai - com referência a Deus, adianta a Igreja - que se trata de um mistério para além do pensamento e de qualquer experiência cotidiana. Se tomamos a palavra pai literalmente, talvez fiquemos envolvidos por dificuldades. Se alguém lhe inquirir: ?Que Pai é esse que permite tantas misérias no mundo, tantos sofrimentos envolvendo os seres criados e silencia nas catástrofes da natureza, dizimando milhares de pessoas?!? Deus é um mistério desconhecido, inintelegível, indizível, inefável, além da mente. Imaginemos um deficiente visual de nascimento, que nos perguntasse o que é a cor azul de que tantos falam. Como poderíamos descrever a cor azul para ele? De certo, perguntaria, a partir de suas experiências limitadas: o azul é frio ou quente? Grande ou pequeno? Áspero ou macio? Amargo ou doce? Nada disso. Como desenvolveríamos nossa explicação? Ou então: alguém diz ao peixe - como imenso é o mar, como maravilhoso é o oceano! E o peixe, singrando, de lado a lado, as águas no seu nadar costumeiro, pergunta: onde está o mar, onde se encontra o oceano? ?Você está dentro dele?. Entretanto o que o peixe toca é, apenas, água. Não consegue reconhecer o mar, nem o oceano, porque está acorrentado à palavra. Dir-se-ia estar acontecendo o mesmo conosco. Deus está olhando a nossa face, mas, por estarmos acorrentados a algumas idéias, não O reconhecemos. Seria trágico se não reconhecêssemos que o silêncio é o primeiro passo para se chegar a Deus que se encontra para além da palavra jogada na estrutura frásica. (*) É bispo de Palmeira dos Índios.

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