Opinião
�tica e poder
| Eduardo Bomfim * Vivenciamos um confronto pesado sobre questões da ética na política. Ao mesmo tempo, discute-se uma reforma política e eleitoral. Iniciativa urgente, regulando a vida e atuação dos partidos, além dos financiamentos das campanhas. De maneira que a transparência seja a mais absoluta possível. A atual crise delineia-se como institucional. O objetivo principal e publicamente declarado é a interrupção do mandato do presidente da República. Ulisses Guimarães, ilustre personagem da República, presidente da última Assembléia Nacional Constituinte, 1987-1988, vitimada pela chamada reforma constitucional no período do governo do senhor Fernando Henrique Cardoso, costumava afirmar: ?Sua Excelência os fatos?. Já o escritor e teatrólogo Nelson Rodrigues, sarcástico, sentenciava: ?O que importa não são os fatos, mas a versão que deles é publicada?. Considero as duas observações complementares, os fatos e suas versões. Há, igualmente, os que não são escritos ou falados. Por exemplo, vivemos em uma democracia de fachada. Todo brasileiro sabe muito bem a força do dinheiro, do voto comprado, escravizando a consciência dos famintos, como uma droga que vicia. Dizem que o Congresso é o espelho da sociedade. Não é verdade. A classe média e os pobres possuem uma minoria que os representa. E esta balança não pode pender para o lado do povo. Este é o verdadeiro motivo desta crise política. Quem produz fome, miséria, favelas e exploração do trabalho de dezenas de milhões de pessoas, só conhece a razão do poder. E a ética é um produto supérfluo. Pode ser conveniente usá-la, tanto quanto o uso da violência, da supressão das liberdades, do linchamento moral, da ditadura. Estes são os fatos históricos, que o PT agora aprende, amargamente. Tem razão o presidente Tasso Genro, quando afirma que o seu partido terá que ser refundado. Sem achar que é o dono da ética. Desfazendo-se da busca exclusiva pelo poder. Perseguindo um projeto nacional soberano e sem as misérias que nos tornam a nação mais desigual do mundo. O PT seduziu milhões de pessoas e foi seduzido pelos falsos aliados, bajuladores, que lhe desenharam um caminho que nunca existiu. Nos tempos de dor é que se descobre os amigos. Na crítica fraterna das verdades que são reveladas. Não ficarão sozinhos, assim como o presidente Lula, sob as idênticas ameaças sofridas por outros governantes que ousaram tentar a criação de um Brasil mais justo. Neste campo nosso, é preciso viver sob as tempestades. E na caminhada cheia de perigos, restaurar as energias para a luta. (*) é advogado.