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Casa de Apoio Lenita Quintela Vilella

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| MARCOS DAVI MELO * Enquanto explodiam no Congresso as denúncias de desvio de recursos os brasileiros trabalhavam ou procuravam emprego, os aposentados esperavam em longas filas e o INSS novamente estava em greve, os mais jovens estudavam para tentar sobreviver pelo esforço e pelo suor; muitos adoeciam e procuravam atendimento médico, alguns conseguiam, outros não e em uma confortável edificação próxima à Santa Casa, vinte e seis pacientes portadores de câncer, todos do interior, tinham assegurados ali os seus alojamentos, enquanto duravam os seus tratamentos de sete ou oito semanas contínuas. A Casa de Apoio Lenita Quintela Vilella completa um ano de funcionamento. Neste período ali se abrigaram mais de trezentos e cinqüenta pacientes carentes, portadores de câncer. Sem ela, esses pacientes carentes e debilitados pela enfermidade, dificilmente teriam as condições de fazer os seus tratamentos. Foi o amparo que precisavam para lutar pela vida. Entre estes pacientes transcrevi apenas três que ainda lá estão alojados. A. J. S. é um homem de 47 anos, natural de Santana do Ipanema, lavrador de profissão, analfabeto, casado e pai de sete filhos. Algumas vezes, segundo ele (diariamente, segundo a sua mulher), no retorno da roça para casa parava na venda do Zé do Bode e tomava uma cachaça para aliviar a cabeça. Os cacos de dentes podres, a cachaça e o cigarro lhe legaram um câncer de boca. M.J.S. é uma mulher de 51 anos. Dona-de-casa em Delmiro Gouveia, mãe de 13 filhos, certo dia ?a menstruação voltou?. Não era a menstruação, era um câncer de colo uterino, flagelo das mulheres pobres nordestinas. M.J.S. nunca fez um exame preventivo. L.S.S. é uma mulher de 49 anos. Natural de Poço das Trincheiras, dona-de-casa, mãe de cinco filhos. Certo dia notou um caroço no seio, era um câncer. Já foi operada e agora faz as aplicações de radioterapia na Santa Casa. Todos os pacientes passam a semana em Maceió se tratando e na sexta-feira retornam aos seus lares paupérrimos para passar o fim de semana com os familiares. Na segunda-feira estão de volta e assim vão seguindo até completarem os seus tratamentos. Estão bem acomodados, mas nada substitui as suas casas por mais modestas sejam. A Casa de Apoio completou um ano de funcionamento, silenciosamente, sem festas, mas cumprindo a sua missão. Os pacientes sabem que devem tudo ao Zé Aprígio Vilella. As voluntárias da Rede Feminina de Combate ao Câncer, o grupo que a administra, diariamente oram pelo Zé Aprígio na brava luta que trava superando tantas dificuldades. (*) É médico.

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