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As mil e uma noites verde-amarelas

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| RONALD MENDONÇA * Infeliz da moça que o sultão Chahriar botasse os olhos. Seu destino estava definitivamente traçado, uma vez que o poderoso tinha o costume de matar as esposas logo após a primeira noite. Disposta a acabar com a matança, Cheherazade, uma linda jovem que habitava nos domínios do sultão, oferece-se para matrimônio. Contrariando as expectativas, a jovem não só sobrevive como consegue ter um relacionamento duradouro. O segredo se esconde nas fascinantes histórias que Cheheradaze se propôs a contar. Num tom novelesco, as narrativas são interrompidas num ponto tal que impele os presentes a ouvir sua continuação na noite seguinte. A inteligente estratégia foi amansando o sultão e adiando indefinidamente a decisão da morte. Sob o manto das ricas culturas árabe e indiana, Cheheradaze compõe tipos humanos singulares, situações insólitas e desfechos sui generis, que vão desde disputas sangrentas, erotismo, temerários romances e grandes aventuras (Ali Babá e os 40 ladrões fazem parte das narrativas), prendendo a atenção não só do temível sultão e sua corte, como a de milhões de pessoas nos 4 cantos do mundo. Com efeito, traduzido para todos os idiomas, As mil e uma noites, é um clássico da literatura que através dos tempos tem aguçado a curiosidade de leitores de todas as idades. Muitos séculos depois de o livro ser publicado, a elite política brasileira (leia-se PT & Cia) resolveu reproduzir os ingredientes mais perversos contidos em ?Mil e uma noites?. Pobre Brasil, pobre literatura árabe! Como se sabe, corre atualmente em Brasília uma CPMI dos Correios. Com a ampla cobertura da imprensa, as tardes e noites brasileiras estão recheadas de deprimentes espetáculos que, infelizmente, não faltam mistério, suspense, traições, ambição, cavalos de raça e dinheiro escuso, além, é claro, de homens sacanas e de mulheres atrevidas. Dos Correios mesmo é do que menos se fala. Como no texto árabe, há os que criam histórias para adiar o momento da degola, acenando com a possibilidade de mais fatos escabrosos para o dia seguinte. Nesse aspecto, infeliz da alma que for contemplada pelo olhar enviesado de Roberto Jefferson. Dentre as inúmeras curiosidades dessas ?mil e uma noites verde-amarelas? está a tentativa de acuar o grão-vizir Zé Dirceu. Treinado em Cuba para eventual tête-à-tête com os porões da ditadura militar, seria muita pretensão imaginar que o ex-companheiro de armas entregaria o ouro a Alibabacas quaisquer. (*) É médico e professor da Ufal.

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