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Opinião

Que Deus nos ajude

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| MILTON HÊNIO * Quando eu era menino ouvia meu avô dizer que ?Deus era brasileiro?. Talvez o fizesse insatisfeito com algumas atitudes pouco elogiáveis dos governantes da época. Era o ano de 1945 e eu tinha meus 6 anos. Ele expressava essa tese em tom de ironia, querendo dizer que só sendo brasileiro Deus se apiedaria de nós, nos dando força e coragem para vencermos as adversidades tão constantes entre a população brasileira. Passados 62 anos daquele diálogo que jamais esqueci, passeando com meu avô por entre as folhas secas dos eucaliptos do Parque Gonçalves Ledo, ouço, hoje, a mesma frase, saída dos lábios de inúmeras pessoas que continuam a protestar contra os acontecimentos negativos de um País que poderia ser grandioso, se tivesse uma equipe de políticos que pensassem com amor no seu povo. 500 anos de idade já é muito tempo e ainda vivemos em grande anarquia. Muita gente culpa toda essa confusão a nossa origem, aos nossos primeiros habitantes, aos nossos primeiros invasores. Crises políticas sempre houve em todas as épocas, na história de todos os povos. É um teste de sobrevivência que a história impõe aos regimes políticos. Mas quando ela se afasta dos seus propósitos, foge do terreno elevado das idéias como acontece atualmente entre os nossos congressistas e governantes, descambando para atos de indignidade, verdades sujas, aí ficamos preocupados com o nosso futuro. O povo aflige-se ao ver essa luta que desalenta os bons princípios e fortifica os maus. Nossa televisão ocupa todos os seus espaços em seus jornais citando atos de corrupção. Disse Rousseau que a democracia é a melhor das soberanias, mas o governo deve caber aos melhores, aos mais bem escolhidos, o que infelizmente não tem acontecido ultimamente. A democracia é, antes de tudo, uma forma de governo que, por si só, não traz o condão do bem- estar social, sem as condições imprescindíveis de educação e cultura política de governantes e governados, de independência econômica, de instabilidade constitucional e, sobretudo, sendo de ordem e dever cívico. Vivemos uma democracia descaracterizada pelos vícios que se renovam, de valores éticos duvidosos. Nossos dados estatísticos mostram que para sermos uma grande nação teremos que caminhar muito ainda, mas, principalmente, com seriedade na condução de novos caminhos. Como diz o grande poeta Olegário Mariano: ?Vinde ver o Brasil de minha alma, atormentado e aflito, cujo nome parece um grito de montanha, de quebrada em quebrada, acordando o infinito?. Esperar é viver. (*) É médico.

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