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Nº 5710
Opinião

Justa homenagem

JOSÉ MEDEIROS * O poeta Lêdo Ivo é alagoano? Em várias ocasiões e lugares essa pergunta tem sido dirigida a mim, nos momentos em que afirmo ser ele um dos melhores poetas contemporâneos. Não só poeta, mas romancista, contista e cronista. Talvez por sua o

Por | Edição do dia 08/05/2002 - Matéria atualizada em 08/05/2002 às 00h00

JOSÉ MEDEIROS * O poeta Lêdo Ivo é alagoano? Em várias ocasiões e lugares essa pergunta tem sido dirigida a mim, nos momentos em que afirmo ser ele um dos melhores poetas contemporâneos. Não só poeta, mas romancista, contista e cronista. Talvez por sua obra literária ter alcançado dimensão nacional e internacional, dúvidas pairem sobre sua origem de nascimento. Considerado uma das expressões marcantes da geração dos anos 50, sua poética se estendeu e se afirmou nas décadas seguintes. A antologia “Os Cem Melhores Poetas Brasileiros do Século” incluiu uma de suas produções literárias. Galeria em que pontificam Carlos Drumond de Andrade, Cecília Meirelles, Jorge de Lima e Ferreira Gullar. Nasceu em Maceió? Essa interrogação de pessoas oriundas de outros Estados pode ter alguma justificativa para eles. Para Lêdo Ivo, não. Sempre prezou sua terra e sua gente. Em muitos momentos, sua poesia ou tramas romanceadas refletem pilares de sua formação, de sua infância e adolescência em Maceió: o mar, a maresia, coqueiros, o sítio de fruteiras, canais e lagoas, ruas e ruelas, enfim, a vida tranqüila e madorrenta desta cidade em décadas passadas. Numa etapa posterior, em Recife e no Rio de Janeiro, conviveu com gerações de poetas da melhor estirpe. E, na maturidade, subiu os degraus da Academia Brasileira de Letras, carregado de invejável bagagem cultural: mais de duas dezenas de livros publicados, analisados e reconhecidos. Uma homenagem à cidade de Maceió, de sua autoria: “Este é meu lugar, entranhado em meu sangue / como a lama no fundo da noite lacustre. / E por mais que me afaste, estarei sempre aqui / e serei este vento e a luz do farol, / e minha morte vive na cioba encurralada”./ Justa a homenagem dos alagoanos a Lêdo Ivo, em reunião ocorrida nos salões da Academia Brasileira de Letras, sua pátria intelectual. Sorrisos, apertos de mão, abraços, autógrafos, dedos de prosa, discursos e reencontros. Deve-se essa iniciativa ao médico Antônio Arnaldo Camelo, presidente da Fundação Municipal de Ação Cultural, em parceria com a Editora Catavento e o apoio do governo municipal e estadual. Na ocasião, foi lançada a reedição do romance “Ninho de Cobras” do homenageado. Com igual destaque, um estudo biográfico e retrospectivo de sua obra literária, na publicação “Labirinto de Águas”, da escritora e historiadora Leda Almeida. Dezenas de alagoanos, os daqui e os de lá, reuniram-se na homenagem ao nosso poeta maior, num fio de tarde cálida e fraternal, em que sobressaiu a cultura alagoana. Reencontro, na Academia, alguns de seus membros de minha particular admiração. O escritor Eduardo Portela, ex-ministro da Educação, a quem acompanhei em sua curta gestão ministerial (nessa época, eu era secretário de Educação do Estado). Conversei com Arnaldo Niskier, ex-presidente da Academia, que construiu muitas amizades em Maceió. Além de Josué Montelo e Celso Furtado, entre outras presenças significativas. Reencontrei, também, intelectuais alagoanos, que, há muito tempo, se transferiram para o Rio de Janeiro, tais como Oliveiros Litrento e Cléia Marsiglia. Foram momentos simbólicos e emocionais. Uma iniciativa coroada de pleno êxito. (*) É MÉDICO

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