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Liberdade e justi�a

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| Gilberto de Macedo * A liberdade é o primeiro direito do ser humano, na convivência da sociedade. É uma necessidade essencial. Montaigne definia dizendo que ?A verdadeira liberdade é poder tudo sobre si mesmo?. Daí a importância incomparável da mesma, quando se diz que fazer tudo que se deseja, desde que não prejudique alguém. Como se lê no verso de Esopo, na fábula O lobo e o cão ao dizer: ? não há ouro bastante para pagar a liberdade.? Isso sim, porque permite que se viva na plenitude dos ideais pessoais, auferindo da inteira felicidade; é viver a vida com valor. Isso em obediência à ordem na sociedade, pois, como ensina Montesguieu, ?A liberdade é fazer tudo que as leis permitem?, é atributo ético na vida da pessoa, estabelecido pela governabilidade, atenta aos direitos da cidadania; se não procede dessa maneira, perde sua legitimidade. Para se identificar e se realizar com autenticidade, a liberdade exige justiça. Essa é que define os limites da mesma, nem cercada para menos - seria opressão- nem expandida para mais - quando seria libertinagem. Enquanto a liberdade é ética, estruturada em valores, a opressão e a libertinagem são antiéticas, pois contrariam a virtude. Daí a importância da justiça ao definir e limitar a liberdade na sociedade. Logo a liberdade permite o engrandecimento do homem, pela conscientização dessa situação, assim como diz Hegel: ?O homem livre não é invejoso: admite de bom grado o que é grandioso e regozija-se de que a grandiosidade exista.? Trata-se de uma peculiaridade ética que representa o maior valor da vida: no âmbito individual, dizendo do apuro humano, e na esfera social, revelando a melhor, mais aperfeiçoada característica de uma sociedade. Daí a oportunidade de Jean Luis Vives, com tanta sabedoria, ter afirmado: ?A justiça é o vínculo das sociedades humanas, as leis emanadas da justiça são a alma de um povo.? É que expressam o melhor nível de aperfeiçoamento, posto que apoiada na plenitude dos valores consubstanciados na vigência da justiça. Assim, é que Jonbert soube dizer que ?A justiça é a verdade em ação.? Dizendo a verdade já diz tudo a respeito da valor ético, para a vida do cidadão e de sua sociedade. Cultivar e respeitar a justiça é, portanto, um dever da cidadania. Um imperativo social. É como diz François Chateaubriand, ?A justiça é o pão do povo e ele está sempre com fome dela.? Então, para concluir, há de se ver sempre a justiça como a bandeira da liberdade que engrandece um povo. Saudemos a justiça, salvemos a liberdade. É da dignidade da cidadania, grandeza da democracia. (*) É médico.

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