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Opinião

O amigo leal

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| Lysette Lyra * O amigo mais leal que o homem já conquistou é um ser de quatro patas capaz de uma devoção, sem interesses, por toda uma vida. É o cão! Sensível, inteligente, humilde está sempre pronto a defender aquele a quem entregou sua amizade. Seja ele de fino pedigree ou um vira-lata, sua vocação é essa. Mesmo os mastins considerados hostis, dificilmente atacam seu dono. Costumam usar as expressões: ?vida de cachorro? e ?ele é um cachorro?, para designar pessoas sofridas ou sem caráter, o que é completamente injusto. O cão é um grande companheiro das pessoas solitárias e carentes de afeição. Fácil de amestrar, pode ajudar os cegos, a polícia e é capaz de entusiasmar grandes platéias. Há raças adequadas para diversas utilidades: cães caçadores, de guarda, de companhia, são usados até para puxar trenós, nos países frios. Observe o olhar de um mastim e quanta expressão eles denunciam. Existem povos que têm grande predileção por esse animal. Na França, por exemplo, 70% da população possui cachorros, tratados como seres humanos, com todo carinho. Encontrava-me, uma vez, numa confeitaria chique de Nice quando entrou uma senhora de meia idade, conduzindo seu poodle por uma coleira. Estava muito frio, e, claro, seu animalzinho vestia um traje de grife canina famosa. Sentou-se à mesa a meu lado, e logo o companheiro aboletou-se na cadeira vizinha, com ares de ?habitué?. Ela pediu um sorvete para si e outro para o cãozinho que prontamente o sorveu, direto na taça, sem nenhuma cerimônia. De outra feita, viajava na primeira classe de um avião da Panamérica para New York. Nas poltronas ao lado, sentou-se um casal de franceses com um bebê nos braços. Logo que a aeronave decolou, a comissária de bordo improvisou um bercinho para a criança, no chão mesmo. A mãe acomodou-a no leito arranjado e voltou a sentar-se. O senhor, então, abriu uma sacola e de dentro saltou um terrier negro que depressa se ajeitou nas suas pernas, depois de dar uma lambida no rosto dos donos, tomando ares de proprietário daquele espaço. Elogiei a beleza do cachorro, o que foi o bastante para que o casal passasse grande parte da viagem contando as proezas do mesmo. Os ingleses também gostam muito de cães e as jovens têm por hábito colocar-lhes os nomes dos namorados. Os americanos do norte são muitos afeiçoados a eles. Existem cemitérios só para cachorros, e como são comovedores os epitáfios que lhes dedicam! Sempre gostei desses animais. Tive um pastor belga, negro, lindo e inteligente, que se chamava Xeique. Ai de quem me tocasse, ele avançava impiedosamente! Quando eu adoecia, deitava-se à porta de meu quarto. (*) É escritora.

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