Opinião
Hora de objetividade
Conforme previsto, a multiplicidade das denúncias circulantes sobre os escândalos que se descobriram a partir do ?mensalão? começa a embaralhar informações e a ameaçar a objetividade indispensável a processos da monta que se desenvolvem no Congresso, por intermédio das várias CPIs. Ontem, o surgimento de mais uma lista de sacadores do valerioduto causou a maior balbúrdia. No fim da tarde, depois de ocupar espaços na mídia on-line, a lista foi descartada e o próprio vice-presidente da CPMI dos Correios teve a cabeça pedida. Nesse meio tempo, a malfadada lista foi denunciada pela senadora Heloísa como documento fraudado, por ? segundo avaliação da parlamentar ? incluir nomes de todos os partidos, mas teria apagado os receptores petistas. A oposição tucana também desgostou da nova listagem, naturalmente porque o rol de nomes incluía estrelas emplumadas. Nesse embalo, os tucanos tornaram a receita mais picante ao denunciar um suposto ?encontro ocorrido na madrugada na garagem do Senado entre o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) e o Marcos Valério?, encontro esse insinuado como uma articulação para o aparecimento, no dia seguinte, da polêmica e contestada listagem nas mãos do deputado Pimenta, que no fim da tarde de ontem teve a cabeça pedida pelo deputado Goldman (PSDB-SP). Uma balbúrdia. A cidadania exige algo melhor das Comissões Parlamentares de Inquérito. Não se pode menosprezar a crise que se alastra, não se pode mistificar ou tentar manipular as investigações em curso, e a tentação de atrair os holofotes precisa ser contida por quem está investido da missão de investigar toda essa abundante variedade de denúncias. Às CPIs devem ser objetivas, isentas em suas diligências, e a seus membros deve ser cobrada renúncia aos objetivos menores de ?fazer acontecer? e de prejudicar eventuais adversários.