Opinião
Fr�gil guerreiro
| Patricia Tenório * ? Quis muito lhe escrever. Dizer que consegui, seguindo seu exemplo. Estava tão presente em cada minuto de minha existência, correndo nas veias, pulsando em meu ser... ? Hoje lembrei de quando me levava aos ombros. Um milagre abriu-me os olhos, alargou as fronteiras da alma. Vi a morte (e a vida) passar em frações de segundos diante de mim. A força (A maior das fragilidades). ?Um grande homem que se foi. Grande homem. Guerreiro. Vai deixando o sabor do bem querer mais, desamparo, escuridão. Em vida, porto seguro. Na morte, a certeza da semente plantada em nossos corações. Missão maior, não deixar morrer. Eternidade?. ? A emoção sobe em minha garganta, derramando-se em lágrimas, inunda meu ser. Olho ao redor, mesmo sentimento, energia unindo. Congruente. Será apenas isso? Somos um nada, poeira? Pó? ?Quero senti-lo até a última gota, esgotar o inesgotável. Até não mais me pertencer, e poder fazer sua última viagem. Em paz. A mesma paz que transparecia nos momentos mais difíceis, de maior sofrimento. Dor?. ? Dor que me consome, lembro de quando também lhe perdi. Tanto tempo para encontrar o mesmo calor, sentir a volta, casa paterna. Então ele veio, em um repente. (Um pequeno ser me ensina com a admiração que por mim nutre no peito. Dando-me os braços, pede para colocar nos ombros). ? Uma lembrança distante, quase esquecida, dúvida se algum dia vivi, mesmo amor, igual carinho. Dar o que não recebi pelo tempo desejado, no destino interrompido. Vivo em meu filho, de outra maneira. A cada dádiva, um presente. Na doação, recebo amor. Mais, doce, infinito, construção. Melhor, reconstruir. A vida é mais suave, encontro sentido no caminhar, enxergo nas minhas fraquezas a verdadeira força, humanidade. Ouço as palavras hesitantes. (Que eu não desista de amar. Amar do tamanho do infinito. Ida e volta. O quanto sou importante para ele. Queria acreditar novamente em mim. Houve tristeza antes, decepção maior do mundo. Conseguiu matar a raiva em uma simples conversa. Então, vamos recomeçar?) ? Posso voltar a ser herói, o seu herói? ? E para sempre, viveremos uma nova história. Não do que perdi, ?já não mais me pertence, está nos braços de Deus-Pai?, mas do que posso (devo construir). Presente (futuro). Darmos um (ao outro) o direito (amizade entre pai e filho, pode?). ? A resposta, (nas pequenas mãos dadas), no abraço aconchegado, (no olhar de admiração), levanto, levo aos ombros. Posso fazê-lo maior que a mim, (frágil continuação, forte herança). ? Imortalidade... Uma homenagem a José Aprígio Brandão Vilela e a todos os pais. Os de hoje. Os de sempre. (*) É escritora