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Opinião

Meu filho azulino

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| Valéria Barros * Seus planos de vida, suas paixões..., ele num determinado dia nos disse que se a seleção brasileira jogasse contra o CSA, ele torceria pelo CSA, tamanha era a curtição pelo time azulino. Quando o CSA jogava, ganhando ou não ele hasteava a bandeira e todas as suas camisas azuis na varanda do apartamento. Em nossas conversas todas as noites em minha cama, Daniela, Davi e eu, ríamos muito de suas histórias, traçávamos juntos nossos futuros, eu sempre reafirmava que eles continuassem sempre amigos, como irmão único do outro eles eram confidentes das traquinagens um do outro, e nem quando tinham raiva um do outro eles falavam ou revelavam seus segredos. Tinha planos para o futuro, prestar o vestibular para publicidade. Eu falei como falo sempre para Daniela, lembrem-se de um brinquedo que vocês esqueciam do mundo quando estavam com ele. A profissão deve ser escolhida baseada no prazer de fazer o que gosta e dentro do que escolherem dêem o melhor de si. Então coloquei para ele que a facilidade que tinha em se relacionar com as pessoas deveria ser um guia para sua profissão, então ele amadurecendo a idéia me falou da vontade de fazer publicidade e marketing. Meu filho foi e continua sendo muito amado, teve como referência seu pai, seu padrasto e principalmente seu avô Marcello que carinhosamente o chamava de ?meu vô?. Esse vô era tudo, era ídolo, era exemplo, era inspiração, era acima de tudo seu cúmplice em seus desejos e planos. ?Vou para a copa do mundo na Alemanha com meu vô?, eram as palavras que ecoavam ultimamente em nossa casa, com a boca e o coração cheios de orgulho. Sinto muita falta de meu filho, minha dor é tão forte que sinto falta de ar. E quando isso acontece, percorro caminhos que fizemos em comum, seu quarto, busco em seus amigos sua alegria e vitalidade e em seu túmulo tento buscar a paz, calma e força para seguir em frente com uma missão que ainda não está clara para mim, mas sei que tenho. E é isso, vou à luta com minha filha e toda a minha família, buscando não sofrer pelo que deixamos de viver, mas sim pelas coisas boas que vivemos e não foram poucas. Parabenizo de uma forma muito especial os pais, Lula, Manoel e o vô Marcello e todos os pais que Davi adotou. Parabenizo principalmente o seu pai, Lula, que infelizmente não pode ter uma última cartinha de seu filho neste dia. ?Cada um elabora a dor de uma forma, a nossa continua sendo pacífica, calma e confiante na justiça como referência necessária e no amor como sentimento único capaz de promover mudanças?. (*) É mãe de Davi Hora.

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