Opinião
Com�rcio da morte
Desarmar é essencial para se avançar na luta pela paz. O Brasil, em outubro, deverá dar mais um passo em direção ao desarmamento através do plebiscito sobre a (sim ou não à legalidade) venda de armas. A legislação atual, restringindo drasticamente as facilidades para o porte de armas, é outro avanço. Mas muito ainda resta para o Brasil ter uma vitória expressiva no caminho de um País sem armas em mãos inadequadas. Em nossa edição deste domingo (Dia dos Pais), a Gazeta publicou uma reportagem esclarecedora sobre a realidade do tráfico e uso de armas em nosso Estado. Em 80% dos 158 casos de delitos praticados por adolescentes, esses menores infratores estavam usando armas de fogo. Essa conta diz respeito a ocorrências registradas em Maceió, desde janeiro deste ano. É justo se supor toda uma série de conflitos, parte deles entre os próprios jovens marginais, onde o uso de armas de fogo não foi registrado, pois os acertos de contas e os ?rituais de passagem? praticados no submundo não são, compreensivelmente, levados ao conhecimento das delegacias de polícia. Quantos jovens não estarão usando armas de fogo na periferia das grandes cidades alagoanas? As autoridades têm registrado inúmeras histórias de como, porque, onde e por quanto se compra uma arma de fogo em Alagoas. Todo um comércio paralelo, clandestino, funciona ? desde tempos imemoriais ? independentemente das lojas legalizadas de armas. A constatação da vitalidade do comércio clandestino de armas e munição, mesmo durante o período de legalidade desse tipo de negócio, é fundamental para uma correta compreensão do gigantismo do problema cuja abrangência e periculosidade está muito além da face legal dessa secular atividade comercial. Muito mais além de plebiscitos precisa ser feito para que seja dado eficiente combate à essa mazela.