Opinião
At� onde e quando?
Ontem, a CPI dos Correios despachou uma força-tarefa para interrogar um presidiário mais conhecido como ?Toninho da Barcelona?. Detido no interior de São Paulo (cadeia do município de Avaré), o meliante é tido e havido como um doleiro cujas traficâncias de dinheiro atenderiam também a políticos brasileiros cujos recursos (escusos) estariam a necessitar de repouso em paraísos fiscais. Os resultados dessa ação estão no noticiário de hoje. Além do noticiário, deveria chamar a atenção o quão baixo está sendo mergulhada a reputação de um bom número de políticos brasileiros, assim como a profusão de denúncias sugere uma aparência de sem-fim para as CPIs. A conjugação desses dois fatores levanta suspeitas quanto aos fins possíveis para tudo isso. Todos esses políticos terão suas indecorosidades parlamentares comprovadas e daí serão cassados? Ou essas CPIs, embriagadas pelos holofotes da fama instantânea, ficarão ad infinitum revolvendo denúncias atrás de denúncias, inquirindo desde ministros até presidiários, sem chegar a conclusão alguma? Por falar nisso, o que mesmo tem a ver a CPI dos Correios com esse doleiro? Não seria o caso dele ser ouvido pela CPI do Mensalão? O que mesmo difere uma de outra CPI? Que as investigações sejam aprofundadas, mas que não se percam no exercício inquisitorial, que todas essas CPIs sejam instadas a oferecer respostas objetivas dentro dos prazos. O Brasil corre o risco de viver uma espiral sem fim de denúncias e investigações que se auto-alimentam e precipitam uma campanha eleitoral. Que sejam ouvidos os presidiários que possam dar respostas às denúncias; que as autoridades envolvidas sejam ouvidas; que todos os trabalhos sejam realizados sem açodamento ? mas que os prazos e os objetivos sejam cumpridos.