Opinião
Dif�cil aprendizado
| RUYTER BARCELOS * A revelação de um esquema de corrupção com capilaridade nacional, planejado e executado por integrantes de um partido político que galgou o poder com o objetivo de transformar o Brasil, deixa a todos perplexos. A esperança venceu o medo e a ela seguiu-se a decepção. Tantos já criticaram a forma de conduzir a administração pública como uma república de amigos, parentes e correligionários derrotados nas últimas eleições, onde o cargo se tornou um emprego e fonte de captação de recursos para o partido político. O papel da imprensa foi fundamental para alertar sobre o erro estratégico. É democrático enquanto fiscalizador, formador de opinião e educativo, a fim de que, nas próximas eleições, o cidadão escolha melhor seus representantes. No cenário atual, é difícil crer que o presidente não soubesse de nada. Resta o benefício da dúvida, até que se prove o contrário. O momento nacional exige prudência e sabedoria. Entretanto, é nítido que a oposição busca apurar a verdade na plenitude, mas se aproveita para fragilizar o presidente e seu partido com a aproximação das eleições, bem como inviabilizar sua permanência no poder. A realidade não justifica o erro, nem ameniza a gravidade. Mais que apurar os fatos e punir os culpados, é primordial uma reforma política que iniba a presença do poder econômico nas campanhas eleitorais. Contudo, é preciso serenidade diante da possibilidade do impedimento do presidente da República. Ele tem uma biografia respeitável, um passado de contribuições ao país, é a autoridade máxima, e desgastá-lo significa retirar sua autoridade, aspecto negativo para o Brasil. Além disso, os reflexos para a economia podem ser desastrosos e a estabilidade econômica, mesmo que ainda frágil, é uma conquista da nação brasileira. Perdê-la significa afetar mais a difícil vida dos milhões que já vivem com sérias restrições na educação, na saúde e segurança pública. Retirar a autoridade do presidente afeta a auto-estima dos brasileiros que votaram nele ou não, pela vergonha que sentirão ao saber que seu presidente não é digno do cargo que ocupa. Por outro lado, não há como conviver com autoridade sem legitimidade e acusada de atos ilegais. O impedimento é o caminho legal, mas fará sangrar a República. O presidente entrará em agonia, se já não está. A constatação é que o período republicano tem mais de cem anos e o brasileiro ainda não aprendeu suas lições. As turbulências são cíclicas e o aprendizado se mostra difícil. O amadurecimento democrático da sociedade brasileira se faz incruento, mas é muito lento. É preciso educação de qualidade. O Brasil tem pressa. (*) É empresário.