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Opinião

O contramestre

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| Josafá Soares * ?Eu sou o contramestre Zé Aprígio Que nunca deu prejuízo E cada vez faço melhor. Em Maceió, já dizia uma pessoa Pai e mãe é coisa boa, barriga cheia é melhor.? Quem não conheceu José Aprígio Brandão Vilela, deve estar se perguntando até que ponto são sinceras as incontáveis manifestações de pesar publicadas por ocasião do seu falecimento, ou mesmo, se são merecidas as palavras lisonjeiras que enfeitam as páginas dos jornais. Na verdade, Zé Aprígio destoava neste mundo. Era uma figura encantadora, destas que raramente aparecem e que, quando surgem, vivem a vida com a força e a brevidade de uma manhã de sol. Um homem cuja singularidade residia na capacidade extraordinária de harmonizar os fundamentos do bem viver: corpo, espírito e mente. Soube como poucos captar os ensinamentos da chamada escola da vida que abraçou logo cedo, interrompendo a adolescência à força de responsabilidades assumidas. Começou a trabalhar aos 14 anos e não parou mais nos 41 seguintes, tempo em que construiu parte dos sonhos que desejou; que não eram tantos, nem eram mirabolantes, mas eram seus sonhos. Este caminho não foi fácil, aliás, nada na vida foi fácil para Zé. Ele era tão cioso da dificuldade das suas conquistas que dedicava a tudo o que possuía, desde uma prosaica caneta, um cuidado pertinente a um valioso troféu. Quando agregou o conhecimento prático que colheu pelo mundo ao seu senso nato de justiça, Zé logo se tornou forte e respeitado. Gravitando no seu equilíbrio, se formou uma rede eclética, que ia do vaqueiro ao governador, pronta para ouvir um conselheiro de alma aberta e posições firmes. Mas mesmo diante das intensas provações a que foi submetido, nunca perdeu a visão lúdica da vida. Sempre foi Zé Aprígio, um rapaz da Viçosa que gostava de festas pra se esbaldar, aboios para ouvir, roupas pra provar, viagens pra conhecer, gadgets para comprar, comidas (todas) para comer, cervejas para tomar, forrós para dançar, amigos para gargalhar, novelas pra acompanhar, vaquejadas para correr, cavalos para criar, Flamengo para sofrer, família para curtir e Themis para amar. Aprígio viveu com um prazer extremo. Se foi prematuramente, muitíssimo contra a sua vontade. Não antes de lutar pela vida como um lobo ferido durante três compridos anos. Só foi vencido aos poucos e, quando viu que não era mais possível lutar, deixou-se levar em paz depois de se banhar nas lágrimas purificadoras da bela família e dos milhares de amigos. Assim, eu vi o contramestre Zé Aprígio. (*) É empresário.

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