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Opinião

Prud�ncia e convic��o

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| Eduardo Bomfim * Nestes tempos, torna-se imprescindível que a mente esteja suficientemente arejada, pensando a política, participando da História. Samora Machel, líder da revolução vitoriosa contra o colonialismo português em Moçambique, dizia que muitas das vezes os pequenos detalhes são decisivos. Há várias maneiras de se travar a batalha. Uma delas, em torno dos grandes projetos, na polêmica acesa, aberta, dos caminhos a serem trilhados. Então, nesses casos, que floresçam cem flores, como afirmou o grande líder da revolução chinesa, hoje esta potência mundial emergente. Relembro essa frase, não como uma apologia ao ecletismo desnorteado de idéias e rumos, uma mistura de alhos com bugalhos. Para mim, ela inspira a busca do caminho em meio ao debate acalorado, apaixonado e franco. Na lealdade das opiniões, sem medo de errar ou aceitar as idéias que nos aproximam do rumo mais correto a ser trilhado, porque, como ensinava o imortal dramaturgo inglês: a dúvida modesta é a luz dos sábios. Ao contrário, quem conspira contra a liberdade de opinião e expressão, cultiva as trevas e o autoritarismo. Aquele que utiliza a força, impede o progresso da humanidade, demonstra a sua própria fraqueza, escondida sob o manto da arrogância. Mais cedo ou tarde, revela-se, sucumbe diante da realidade objetiva, dos fatos da vida. É imperioso defender com vigor as nossas posições, desde que elas brotem com sinceridade do cérebro e do coração. Porque nós somos carregados de paixão. Nada se faz sem o fogo das utopias realizáveis. Não por acaso, Miguel de Cervantes, criador de Don Quixote de La Mancha e seu inseparável escudeiro Sancho Pança, foi declarado por Santiago Dantas, grande chanceler da nação brasileira nos idos de 1960, como a obra que representa a apologia da alma ocidental. Nesta época de torpezas, das intrigas, calúnias, da política rasteira, que se apure e depure o sonho brasileiro de uma nação continental, soberana, socialmente justa, generosa. Essa não é definitivamente uma tarefa histórica das forças conservadoras. Exatamente porque se encontra na razão delas existirem, frear as energias e os conflitos que empurram o País em direção ao futuro. É fundamental ao campo progressista não perder o rumo, a perspectiva, não confundir os campos, desencontrando-se nas esquinas do jogo pesado da luta. Os reacionários imitam o navegador das descobertas, que na busca fanática do ouro e das terras ricas, massacrou os nativos, queimou os navios, para que ninguém pudesse retroceder da ganância tresloucada. (*) É advogado.

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