Opinião
Na UTI
Pesquisa recente revelou que as principais preocupações atuais dos brasileiros incluem o medo do desemprego, a violência e, em primeiro, lugar a saúde pública, utilizada por cerca de 75% da população. Não é para menos. Com frequência, a imprensa relata situações de filas e superlotações em hospitais, dificuldade para marcação de consultas, exames e cirurgias, falta de medicamentos e até de materiais básicos nas unidades. Segundo dados do Ministério da Saúde, o SUS é um dos maiores sistemas do mundo e, em 2017, registrou quase 4 bilhões de procedimentos em sua rede credenciada, incluindo desde o atendimento de urgência e emergência até os de alta complexidade, transplantes, tratamento da Aids e campanhas de vacinação. Entretanto, tem muitas deficiências que comprometem a qualidade do atendimento. Para financiar essa rede de atendimento, a pasta da Saúde dispõe do maior orçamento entre os ministérios. A previsão é de R$ 130,2 bilhões para o próximo ano. Mesmo assim, o valor é considerado muito aquém das necessidades do sistema. Gestores dizem que a falta de verbas está resultando na falência de hospitais privados e filantrópicos credenciados e atendimento precário nos hospitais públicos. Isso porque os repasses federais vêm caindo nos últimos anos e não levam em conta o aumento da população nem o aumento do desemprego, que deixou muitas famílias sem condições de pagar um plano de saúde. Além disso, há o envelhecimento da população, com consequente aumento das doenças crônicas. Prefeitos também reclamam da redução dos repasses federais, que obrigam os municípios a gastar mais. Há números que mostram isso. Em 1993, a participação da União no financiamento da saúde pública era de 72%; estados entravam com 16% e municípios com 12%. No ano passado, o governo federal entrou com 43,2% dos recursos, contra 30,8% dos municípios e 25,8% dos estados. O futuro governo terá, então, o desafio de aumentar e redistribuir o financiamento do SUS visando à melhoria da gestão do sistema público. Especialistas também apontam também outro problema: o mau gerenciamento. Portanto, é preciso não apenas aumentar os recursos, mas melhorar a gestão administrativa, aumentando a produtividade. Só assim, a saúde pública poderá oferecer um atendimento melhor à grande parcela da população que depende exclusivamente do SUS.