Opinião
Crise infeliz
| Lysette Lyra* Em todas as atividades existem pessoas desonestas, de má fé, e os impolutos que exercem suas funções por idealismo e firmes convicções. Não podemos, portanto, generalizar as atitudes erradas desse ou daquele grupo. Porém a maioria dos indignos, infelizmente, está se tornando uma realidade assustadora! ?O vil metal? torna-se cada dia mais atraente, corrompendo mentes despreparadas que perdem totalmente a ética e o decoro em busca do bem-estar e da fortuna. É o que está bem visível na classe política de nosso País. O recente escândalo envolvendo parlamentares nos tem deixado atônitos! Num País, onde a pobreza é consternadora, em que a carência de instrução, de alimento, de abrigo, de saúde abrange grande porcentagem da população e clama por uma ajuda generosa e imediata, políticos que se dizem populistas, que criticam a má distribuição de rendas, olham com desdém os que enriquecem licitamente, são capazes de, sem nenhum pejo, desbaratarem os cofres da nação para uso próprio. Transgridem todas as leis, desobedecem as infrações, numa ganância irresponsável e vergonhosa, acobertados por uma encenação de defensores dos interesses do povo. Mas, como diz o adágio: ?mentira tem pernas curtas?, lá um dia chega alguém, movido por razões equivocas ou não, e descobre a sujeira que estava escondida ?debaixo do tapete.? Pode até ser responsabilidade de muitos governos, mas são justamente os que condenavam esses erros do passado que os aprimoraram no presente. E o que mais nos causa admiração é propalarem que o País está economicamente progressista, a inflação controlada (quando vemos tudo subindo, menos os salários dos funcionários públicos). Os impostos, dizem, têm que ser aumentados para o bem de nossa economia. O dólar está baixando, divulgam, e mais uma porção de utopias, para enganar a população! Enquanto isso nosso presidente passeia, fazendo média no exterior, afirmando-se inocente! Os sonegadores de impostos são condenados por seu ato, mas qual é o estimulo para pagar impostos se o dinheiro do povo se esvai nos bolsos de políticos inescrupulosos, ou em fraudes nunca resolvidas satisfatoriamente? Há poucos dias ladrões, cuja ousadia incrível chega a ser cômica, subtraíram dos cofres do Banco Central de Fortaleza, órgão governamental, nada menos de que R$ 165.000.000, provando a fragilidade da segurança do banco, deixando-nos incrédulos quanto à eficiência na guarda de nosso dinheiro. Fala-se em milhões como se estivessem tratando de míseros trocados! (*) É Sócia-efetiva da Academia Maceioense de Letras.