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A trag�dia nas estradas

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| Humberto Martins * Em recente edição de jornal da imprensa local, estão números impressionantes de acidentes em estradas federais brasileiras. Ano passado, 94.166 acidentes mataram, mutilaram ou feriram milhares de pessoas, além de causarem prejuízos de R$ 4,8 bilhões ao País. As colisões com mortes (4.287) provocaram prejuízo total de R$ 1,6 bilhão, média de R$ 375 mil por choque. Já as batidas com feridos (31.768) oneraram o País em R$ 2,8 bilhões. Os dados constam de estudo do Instituto de Pesquisas Rodoviárias e dois anos foram gastos no trabalho. O desfecho repete os resultados de trabalhos anteriores, sempre negativos. Todos os aspectos foram considerados, desde a perda de capacidade produtiva das vítimas até o tempo dos engarrafamentos que acontecem nessas ocasiões, além das despesas médico-hospitalares. Não se cogita de tornar a legislação mais rigorosa para os que provocam os acidentes, nem de aumentar a fiscalização, tão pouco de evitar a comercialização de bebidas alcoólicas em postos de abastecimento ou reduzir a publicidade nas TVs, em proporções que induzem ao alcoolismo. São incontáveis as denúncias sobre motoristas de ônibus e de empresas de transportes de cargas que têm suas jornadas de trabalho prolongadas, com o que se tornam mais vulneráveis a acidentes. Também não existem, em quantidade satisfatória, balanças para controlar o excesso de peso nos veículos de carga. A recuperação das rodovias, prometidas mês após mês, não acontece ou ocorre apenas de maneira insuficiente. Pode-se dizer que as repartições federais só se lembram dos que trafegam nas estradas brasileiras na hora de aumentar as taxas e impostos de veículos ou de majorar os preços dos combustíveis. Os números adversos registrados ano passado têm tudo este ano para aumentar, enlutando famílias, inutilizando pais de família para o trabalho e sobrecarregando as estatísticas de aposentados precoces da previdência pública. (*) É desembargador do TJ/AL.

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