Opinião
Horror no interior
Certas tragédias, de tão rotineiras, ameaçam banalizar realidades inaceitáveis em qualquer sociedade. Este parece ser o caso da persistência (e crescimento) do banditismo nas estradas e no interior de Alagoas. Talvez desde os tempos do cangaço situação de semelhante descalabro não é repetida em nosso Estado. Corretamente colocada em chamada de primeira página da Gazeta de Alagoas do último domingo, esta realidade chocante se acentuou nos últimos dias, estabelecendo um ?cenário de terror para motoristas e população do interior?. Assaltos a bancos e a carros dos correios deixaram mortos e interrogações. Como no passado, quando dos tempos do cangaço, é argumentado como fator de facilidade para a atuação dos bandidos a mobilidade destes quando lhes é necessária a passagem de um estado para outro, enquanto as polícias se quedam imobilizadas frente às barreiras dos limites estaduais. Nos anos 20, essa mesma realidade levou a realização de vários acordos entre governadores nordestinos com o fito de permitir a entrada de forças policiais de um Estado às terras de outros quando em perseguição aos bandos de meliantes. O fim de Virgulino Ferreira, o Lampião, e de seu estado-maior, só foi possível porque as tropas alagoanas ultrapassaram o limite estadual imposto institucionalmente pelo Rio São Francisco e ?invadiram? o território sergipano para dar combate ao bando na localidade de Angicos. Nos dias de hoje, os bandidos votaram a usar a seu favor as limitações das barreiras estaduais? Então que esse problema seja enfrentado sem burocracias e sem autoritarismo. Para que servem os acordos interestaduais? O que não pode seguir adiante é esta injusta realidade de restabelecimento do clima de banditismo livre e celerado que aterroriza as comunidades interioranas, castigando com mais crueldade os municípios contíguos aos limites estaduais.