app-icon

Baixe o nosso app Gazeta de Alagoas de graça!

Baixar
Nº 5710
Opinião

Meu medo

WALMAR BUARQUE * Uma das coisas que adquirimos no processo da evolução humana foi o medo que nos mobiliza para proteger nossa família contra o perigo; apesar das pressões sociais, as paixões muitas vezes solapam a razão. Como Freud observou em o mal-esta

Por | Edição do dia 09/05/2002 - Matéria atualizada em 09/05/2002 às 00h00

WALMAR BUARQUE * Uma das coisas que adquirimos no processo da evolução humana foi o medo que nos mobiliza para proteger nossa família contra o perigo; apesar das pressões sociais, as paixões muitas vezes solapam a razão. Como Freud observou em o mal-estar na civilização, o aparelho social tem tentado conter o excesso emocional que emerge, como ondas, de dentro de cada um de nós. Nos últimos 10 anos temos constatado a evolução de uma situação constrangedora onde a cada dia estamos mais à mercê dos carentes, excluídos do processo de evolução da convivência social de subjugar e domesticar as emoções. Para o melhor ou pior, a forma como avaliamos situações complicadas com que nos deparamos e nossas respostas a elas são moldadas não apenas por nosso julgamento racional, ou nossa história pessoal, mas também pelo passado de outras gerações. Esse legado nos predispõe a provocar tragédias, das que somos testemunhas oculares que ocorre no dia-a-dia de um país em guerra em tempo de paz. Não temos mais o que esconder, perdemos tempo, fomos omissos, gananciosos e extremamente ignorantes no trato da coisa pública e principalmente negligentes com nossas crianças. Nesses últimos anos, principalmente, vemos que no passado erramos e o que mais nos preocupa é que continuamos errando nessa nova geração. Como não tivemos mais condições de reverter a situação que a cada dia se agrava e para os mais próximos ao problema, sente-se o perigo de uma explosão eminente de um conflito maior sem precedente na convivência pacífica nessa sociedade excludente e desigual, que se assim podemos considerar em paz. Essa situação é mantida através da ação eficaz, até agora, das atuações intermitentes e crescentes das igrejas evangélicas que proliferam nas mais diversas nomenclaturas que de alguma forma seguram o clamor e a vontade do povo pela igualdade social em vida. Até quando eles conseguirão manter esse rebanho imenso de pobre em situação de desigualdade escolar, nutricional, social e de oportunidade profissional unidos por uma situação melhor em outro plano astral? Até quando o Brasil precisará de uma seleção brasileira de futebol que conquiste o coração do povo com um patriotismo e auto-estima que orgulhe esse carente e excludente ser de brasileiro e esqueçam as mazelas da vida miserável que vivem juntos com os exploradores e manipuladores desta situação festejem mais uma conquista de uma copa do mundo de futebol? É assim que agora estamos vivendo nesse dilema, de vermos uma exploração exacerbada dos cultos evangélicos, tirando dos que nada têm, e também dos que têm demais arrecadações milionárias, fazendo desses reféns de uma acomodação impertinente de cidadão que vivem num país rico, novo e com uma população produtiva, desempregada e uma economia engessada e atrelada a poderosos interesses internacionais. Por outro lado, as lideranças, outras lideranças também manipulam e organizam de outra forma esse mesmo povo, aqueles que já não agüentam mais aquelas manipulações oficiais e passam a exigir seus supostos direitos na pressão e no confronto direto com as instituições e a sociedade, que omissa e onipresente não se posiciona e permite mais esse assombro e medo do enfrentamento. Esses movimentos estão se estendendo como os outros, aqueles que inibem os desejos de igualdade de direitos. E de quem forma agiremos com os meninos e meninas de rua? (*) É COORDENADOR DO PROJETO CATARSE

Mais matérias
desta edição