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Opinião

O artista (em mem�ria de Gaspar Luiz)

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| Gilberto de Macedo * O artista é o intelectual da beleza! Aquele que, com apurada sensibilidade, riqueza de imaginação, e clareza de inteligência, percebe a beleza no mundo - na natureza e no ser humano. É da lição do genial Rodin ao dizer que ?...a Natureza é sempre a mestra soberana e a perfeição infinita... pois o natural é o gosto supremo...? Assim dizia referindo-se a beleza da mulher, para continuar ?... na Natureza não há nada que tenha mais caráter do que o corpo humano?. Ele evoca por sua força ou sua graça, as imagens mais variadas. ?Por um momento se parece com uma flor - a flexão do torso imita o caule, enquanto o sorriso dos seios, da cabeça, e o brilho do cabelo correspondem ao desabrochar da corola?. E empolgado, acrescenta: ?Num outro momento, o corpo humano, desdobrando-se para trás é como uma mola, como um belo arco, do qual Eros assesta suas flechadas invisíveis?. Beleza natural! Beleza humana! Assim, o artista é o representante dessa beleza através de sua obra estética leva-nos ao enlevo pela contemplação. Daí George Santayana defini-lo: ?Um artista é um sonhador que consente em sonhar o mundo real?. Pois, como criador ele não copia, mas, como já se disse, interpreta a realidade e os sentimentos que percebe. É que, ainda, como diz Boris Pasternak, ?A arte serve sempre à beleza, e a beleza é a felicidade de possuir uma forma, e a forma é a chave orgânica da existência, tudo o que vive deve possuir uma forma para poder existir, e , portanto, a arte, mesmo a trágica conta a felicidade da existência. ?Toda a arte, desde seus primórdios, nos povos pré-históricos e primitivos, aos modernos e contemporâneos, tem seu caráter essencial na beleza que, contemplada, leva ao êxtase. Acontece em todas as suas manifestações. Logo quando se mergulha na maviosa sonoridade da música; na identificação com o sentido da poesia; na dança do balé com a suavidade dos movimentos sincrônicos, tão leves como ondas de vento, os pés como se não tocassem o chão; na visão do belo colorido da pintura; da limpidez dos traços da figura no desenho; da convergência palavra-gesto na arte da oratória; da pureza verbal e gestual na arte cênica; na proporcionalidade dos espaços na arquitetura; na tonalidade vocal no recital. É o êxtase diante do maravilhoso! A arte internalizada no coração sensível. Daí a razão da frase de Oscar Wilde: ? O fim da arte é, simplesmente, criar um estado de alma.? Quer dizer, enriquecer, com sublimidade a vida sentimental. Daí o prazer do espírito suscitado pela contemplação. Na arte, a beleza é eterna. Daí a imortalidade do artista. (*) É médico.

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